A Haus der Kunst e o projeto arquitetônico do Terceiro Reich

A Haus der Kunst e o projeto arquitetônico do Terceiro Reich

Luis Felipe Brito HerdyGraduando em Relações Internacionais

 

Primeiras coisas primeiro

Compreender o nefasto projeto nazista constitui-se de um dos mais importantes exercícios para o almejo de um próspero futuro. O nazismo, componente fundamental do período que o historiador Eric Hobsbawm chama de Era dos Extremos, encontra sua parte na história política das sociedades como uma clara demonstração dos perigos que permeiam as possibilidades humanas. Dentre as inúmeras opções analíticas para tal compreensão, a que observa as particularidades arquitetônicas do Terceiro Reich merece destaque. Valendo-se dela, este artigo pretende evidenciar a utilização da arquitetura pelo regime nazista. Para tanto, um dos elementos de análise utilizados será a Haus der Kunst. Com o estudo em questão, objetiva-se explorar os reflexos arquitetônicos na construção e projeção de poder de Adolf Hitler. Almeja-se ainda investigar os componentes arquitetônicos presentes no âmago do projeto nazista, bem como as suas particularidades.

De início, a relação entre Hitler e a arquitetura é eminentemente pessoal. Antes de tornar-se o líder político do Terceiro Reich e genocida, o jovem Adolf aspirava tornar-se um artista. Frustrado pela incapacidade de conquistar uma vida seguindo a profissão, Hitler atendeu ao chamado das armas, preferindo alistar-se no Exército Alemão, não obstante ser um súdito austríaco, combatendo com alguma distinção na Primeira Guerra Mundial. Com o fim da luta, tornou-se ativista político, e seus sucessos posteriormente levaram-no ao poder. Suas aptidões artísticas eram, francamente, medíocres. Seu gosto pelo tema, por outro lado, era titânico. Não à toa, os prédios públicos foram destino da verdadeira paixão de Hitler (EVANS, 2012, p. 212). Interessado por pintura e arquitetura em sua juventude, a utilização das obras públicas pela Alemanha nazista entende-se, portanto, duplamente realçada.

Duplamente, pois, além das particularidades de Hitler, a arquitetura em si fundamentalmente constitui-se como um instrumento de poder. Rene Galesi (2016, p.75) demonstra a durabilidade de tal fato ao, por exemplo, relatar a produção de edificações helênicas como símbolo do poder macedônico. O nazismo, enquanto projeto de pujança totalizante (isto é, atuante em campos diversos como a cultura, a política, a economia etc.), evidentemente se apropriaria de instrumentos arquitetônicos de dominação e poder, independentemente dos interesses juvenis de Hitler. Pode-se, inclusive, considerar que a utilização da arquitetura como elemento de poder político seja tão vetusta quanto a própria política.

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Poder, política e arquitetura

Richard J. Evans (2010, p.187), autor de uma série de livros sobre o Terceiro Reich, corrobora a relação entre o totalitarismo e a arquitetura. Segundo ele, “desde o começo, os prédios interessaram Hitler principalmente como afirmações de poder”. Evans considera, ainda, que, possivelmente acima de todas as outras coisas, a cultura nazista glorificava o poder, mais obviamente expresso na arquitetura (2012, p.242). A utilização da arquitetura por regimes totalitários elucidada escuda-se, também, em Cristian González (2015, p.13): “A utilização e a manifestação de poder eram muito importantes, e é precisamente através da arquitetura e do urbanismo como se expressa o poder da maneira mais evidente”. A esse respeito, ainda compreende:

O sonho do Führer era dominar o mundo, e pretendia fazer isso por meio do exército e da política. Mas também a arquitetura seria um meio de complacência, glorificação de sua figura, doutrinação social e reivindicação de seu nacionalismo. O anseio por construir edifícios que despertem admiração e temor é atemporal e universal. (op. cit., p.14)

Fundamentalmente, a construção imagética de poder compreende pilares de todo e qualquer projeto político. Absolutamente natural, senão automático, é lembrarmo-nos de anfiteatros ao pensar em Roma, pirâmides em Egito, templos em Grécia Antiga etc. Aspirações históricas ambiciosas, como a de Hitler (afinal de contas, um Reich eterno não é uma tarefa exatamente fácil), ou dos romanos antes dele, envolvem instrumentos imagéticos equivalentes à conquista desejada. Assim, caso visem-se objetivos abundantes, igualmente abundantes devem ser os meios empregados para alcançá-los.

Para que pudesse aproximar-se de seus objetivos peçonhentos, Hitler minuciosamente explorou elementos arquitetônicos. Para tanto, rejeitou o modernismo de todas as maneiras possíveis, conforme expressa Evans (2012, p.196). Em vez dele, os novos prédios públicos do Terceiro Reich foram concebidos por meio de um estilo clássico maciço e monumental (op. cit., p. 211). A escolha pelo clássico merece atenção. Alusões ao poderio imperial romano, que usufruiu do estilo em questão, eram profícuas para a retórica revolucionária de volta ao passado (por mais irônica que possa parecer essa constatação) empregada pelo nazifascismo, em geral. Entretanto, a ligação entre a arte alemã (muito antes dos faniquitos e caprichos de Hitler como Führer) e a arte clássica entrelaça-se em uma duradoura tradição presente na Alemanha, como entende González (2015, p.16).

Hobsbawm, quanto ao uso da arquitetura na Era dos Extremos, afirma:

Com a parcial exceção do fascismo italiano influenciado pelo futurismo, os novos regimes autoritários da direita e da esquerda preferiam prédios e vistas monumentais, anacrônicos e gigantescos, representações edificantes na pintura e na escultura, elaboradas interpretações dos clássicos no palco e ideologia aceitável em literatura. (1995, p.187)

Percebe-se, destarte, o monumentalismo enquanto projeto arquitetônico comum ao autoritarismo, observado tanto no Terceiro Reich quanto na União Soviética, como veremos adiante. A extensão de poder representada pelo viés arquitetônico empregado na Alemanha nazista, com fortes tendências ao (neo)clássico, é arrebatadora. Além da simbologia característica da suástica, a própria disseminação de projetos megalomaníacos no espaço físico alemão contribuiu para a construção de poder associado ao regime. Esse processo, contudo, exige uma análise histórica.

Da unificação à autocracia

Após emergir como uma potência revisionista (dos termos do Concerto Europeu) em sua reunificação, a Alemanha guilhermina já envolvia-se em projeções audaciosas. A realpolitik dos tempos de Bismarck evitou a conflagração de uma guerra total por algum tempo (buscando fortalecer a Alemanha), mas a adoção de uma postura mais agressiva após a morte do chanceler alemão aligeirou, enfim, o que a história conhece por Primeira Guerra Mundial. Com a derrota alemã e os rigorosos termos impostos em Versalhes, a ascensão de um movimento autoritário era uma questão de tempo (KEYNES, 2002).

O tempo não foi longo. Poucos anos após Versalhes, Hitler alcançava o poder na então República de Weimar. A obsessão nazista por uma urgente construção de poder deriva-se exatamente da necessidade, entendida por Hitler, de assegurar a ascensão da “raça ariana” e da Alemanha como potência. Evans, combinando a megalomania nazista com a urgência citada, afirma:

De fato, o gigantismo de todos esses projetos, com conclusão planejada para o início da década de 1950 – um espaço de tempo notavelmente curto – pretendia significar a chegada da Alemanha naquela época não só à condição de superpotência, mas de potência dominante no mundo. (2012, p. 213)

O regime que se instituiu na Alemanha hitlerista era, como todo regime totalitário, profundamente autocrático. O autoritarismo, com isso, marca-se pela concentração de poder nas mãos de um líder, que no fascismo habitualmente combina elementos de carisma e repressão. Assim o foi com Mussolini, na Itália, Stálin, na União Soviética, e Hitler, na Alemanha.

Joachim Fest (2017, p.720), um dos mais renomados biógrafos de Adolf Hitler, habilmente percebe que “as arquiteturas do megalômano Terceiro Reich aliavam a busca infantil do recorde à tradicional presunção faraônica dos ditadores ambiciosos que aspiram compensar pela força dos edifícios a fragilidade de um poder fundado em uma só pessoa”. A busca por projeção da Alemanha na condição de superpotência empolgava Hitler no campo da arquitetura, que “se entusiasmava cada vez quando ouvia um arquiteto dizer que, graças aos planos de alguma edificação, ele havia superado as proporções de determinado monumento célebre na história” (op. cit.).

Entende-se, com isso, uma dupla natureza de desejo e necessidade. Por um lado, a necessidade citada por Fest de sustentar um regime autocrático por projeções imagéticas como a arquitetura. Por outro, o desejo (fálico) de Hitler por construções exuberantes e magníficas. A abordagem de sustentação da autocracia merece atenção. Ao mesmo tempo em que exerce papel de projetor de poder na ordem externa (exercendo influência), a arquitetura é também elemento constituinte da ordem interna.

Os impactos sociais de projetos como o adotado pelo Terceiro Reich são, portanto, centrais e decisivos. Não apenas é reforçada a imagem do Führer como uma espécie de semideus, uma vez que a megalomania arquitetônica é componente do poder de Hitler, como também, pela mesma razão, entrelaça-se a estética nazista, que encaminha consigo a ideologia, com o restante da sociedade, envolta nos espaços modificados.

Roma, Tarantino e o urbanismo nazista

Assim como o Império Romano demonstrara atenção ao seu projeto urbanístico (GALESI, 2016, p.104), a Alemanha de Hitler também o fizera. A preocupação nazista em projetar poder e assegurar as suas ambições por meio da arquitetura pode ser facilmente percebida no filme Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino.

Na obra (fictícia), um cinema francês é escolhido para sediar a exibição de um filme sobre um herói de guerra alemão. Goebbels pessoalmente garante a adequabilidade do local para tal ato, que reuniria toda a cúpula nazista. O tamanho reduzido do cinema é visto como um problema (afinal de contas, a megalomania hitlerista deve ser considerada), mas superado pela possível exclusividade proporcionada. Uma vez escolhido, o cinema passa por inúmeras adequações estéticas (incluindo muitas suásticas), para que possa servir aos propósitos do partido. A necessidade de projeção de poder através das artes (e da cultura) é constantemente presente na obra.

O cuidado em relação aos edifícios construídos (ou, no caso do filme de Tarantino, adaptados) elucida-se em um trecho reunido por Fest (2017):

Porque acreditamos na eternidade do Reich, estas obras devem ser eternas, isto é, (…) não devem ser concebidas para 1940, nem mesmo para o ano 2000; como as catedrais de nosso passado, deverão se erigir para os séculos futuros. E se Deus faz hoje combatentes de poetas e cantores, também lhes dá, aos combatentes, arquitetos que cuidarão para que nossa vitória encontre a marca imperecível nos vestígios de uma grande arte, única na história. Este estado não deve ser uma potência sem cultura, uma força sem beleza. (p.720)

Assim, em acordo, Evans (2012, p.212) infere que “não apenas Munique, mas outras cidades também deveriam ser transformadas em imponentes declarações em pedra do poder e permanência do Terceiro Reich”. Esta transformação do espaço conquistado teria sido, provavelmente, de proporções inéditas na história humana.

O projeto de construção de Germânia, que substituiria o espaço físico de Berlim e se tornaria capital do Terceiro Reich, parece indicar o teor urbanístico que seria adotado pela Alemanha nazista após o fim da Segunda Guerra Mundial. Se assim o fosse, as manifestações da arquitetura nazista provavelmente se exportariam para as demais áreas conquistadas ou influenciadas.

Em aderência à afinidade entre o monumentalismo (megalomaníaco) arquitetônico e o autoritarismo político, o caso soviético, especialmente durante o stalinismo, fornece-nos uma esclarecedora semelhança. Segundo Stephen Kotkin (1995), a União Soviética incorpora considerável dimensão de sua megalomania nas construções públicas associadas à imagem de “ferro e aço” como símbolo da determinação bolchevique.

E se Hitler buscava fazer da Germânia representação da eloquência nazista, semelhante projeto fora almejado por Stalin: “Ao lado da siderúrgica na Montanha Magnética, uma nova cidade deveria ser construída que, não menos que a fábrica, era entendida como um símbolo da nova civilização” (KOTKIN, 1995, p.33, tradução nossa). Assim, “a cidade socialista, portanto, não era simplesmente um local em que uma população urbana estava localizada, mas um mecanismo para inculcar um novo conjunto de atitudes, bem como um novo conjunto de comportamentos em seus ambientes urbanizados, criando socialistas” (Ibid., p. 34, tradução nossa).

O reordenamento de Berlim, por Hitler, assemelha-se também com o próprio empreendimento de Stalin em relação à Moscou. Da mesma forma que o artista frustrado, o líder soviético almejou inúmeras modificações urbanísticas e arquitetônicas no espaço físico de sua capital. O Palácio dos Sovietes, imponente projeto minuciosamente observado por Stalin (que, inclusive, sugeriu torres mais altas para melhor representar a grandeza soviética), é uma das muitas demonstrações da relação direta entre a arquitetura mobilizada enquanto projeto de poder (SUDJIC, 2020). Assim como a Germânia nazista, a Moscou soviética não foi concluída.

Felizmente, Hitler, Goebbels, Himmler e os demais líderes nazistas foram derrotados na Segunda Guerra Mundial. Com os eventos que culminaram no suicídio de Hitler (e o fim da guerra), especialmente por conta dos bombardeios e demais conflitos em território alemão, poucas obras construídas durante o Terceiro Reich restaram. A Haus der Kunst (Casa de Arte Alemã) é uma delas.

Enfim, Haus der Kunst

Construída dois anos antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, em Munique, a Haus der Kunst (1937) apresenta-se como um modelo de entendimento da arquitetura nazista. Segundo González (2015, p.29-30), “poderia ser considerada outro exemplo de arquitetura oficial devido à sua importância para o Führer, pois reafirmava seus princípios culturais através de exposições de artistas alemães ou pertencentes ao regime”. Ela sediou a Grande Exposição de Arte Alemã de 1937 a 1944. A construção serviu para demonstrar a cultura política nazista e tornou-se a principal instituição artística do partido.

A Grande Exposição de Arte Alemã foi abrigada em um museu construído com essa finalidade, projetado no estilo de um templo antigo pelo arquiteto Paul Ludwig Troost. […] Como outros prédios nazistas, era antes de mais nada uma afirmação de poder. A Casa de Arte Alemã foi um do grande número de projetos prestigiosos aos quais Hitler deu início tão logo assumiu o poder em 1933. (EVANS, 2012, p. 211)

Além de nitidamente demonstrar a presença da arte, a Haus der Kunst revela ainda uma nova faceta: as diferenças entre a arquitetura neoclássica (pura) e a sua representação totalitária. Evans (op. cit.) realça o fato de que “suas colunas pesadas e angulosas avançando diante do sólido bloco retangular do prédio estavam muito distantes da delicada e sutil arquitetura neoclássica que Troost almejava imitar”.

A peculiaridade em questão, facilmente perceptível na construção citada, demonstra o fato de que as características ofensivas do totalitarismo, que promovem fagocitoses em diversos aspectos da existência, inevitavelmente encontrariam as suas singularidades na arquitetura. A megalomania, aqui tão explorada, de Hitler e seu regime sobrepujava, inclusive, elementos arquitetônicos pertencentes a determinados estilos. Nem sequer a admirada arquitetura dos romanos, portanto, seria capaz de demonstrar claramente o esplendor do Reich. Para tanto, ela teria de ser “harmonizada” e engrandecida.

Vestígios e lamentos

Portanto, entende-se a afinidade entre a arquitetura, como instrumento de projeção de poder, e o totalitarismo, autoritarismo e nazifascismo. A estética nazista, aqui exemplificada pela Haus der Kunst, assume formas inéditas, que “harmonizam” elementos arquitetônicos com o projeto de Hitler.

A ideologia nazista, assim, apropria-se da arquitetura fazendo-a elemento assegurador e incentivador de seu Reich, que felizmente não durou mais do que vinte anos. A busca por prestígio e glória de Hitler englobava até mesmo conquistas de ordem arquitetônica, o que parcialmente justifica a megalomania nazista. Por outro lado, esta é explicada pela autocracia imposta em regimes totalitários.

Por fim, lamentavelmente não são apenas algumas obras arquitetônicas os vestígios da insanidade nazista. Ao redor do mundo, a ideologia nazifascista ganha aderência, seja através de grupos autonomeados neonazistas, seja através de manifestações mais sutis. A História é, nesse sentido, libertadora. Seu estudo, como buscou-se aqui através de uma análise da arquitetura, é a arma que deve combater disparates do tipo no mundo contemporâneo.

 

lfherdy@hotmail.com

 

Bibliografia

EVANS, Richard J. A chegada do Terceiro Reich. São Paulo: Planeta, 2010.

              . O Terceiro Reich no poder. São Paulo: Planeta, 2012.

FEST, Joachim. Hitler. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017.

GALESI, Rene. História da Arte e da Arquitetura I. Rio de Janeiro: Estácio, 2016.

GONZÁLEZ, Cristian. La arquitectura como símbolo de poder em el régimen nazi. Universidad de La Laguna, 2015. Disponível em: < https://riull.ull.es/xmlui/bitstream/handle/915/864/LA+ARQUITECTURA+COMO+SIMBOLO+DE+PODER+EN+EL+REGIMEN+NAZI..pdf;jsessionid=CE0AC19AC96EE28AF24D3EC5502E4669?sequence=1>. Acesso em: 22/11/2019.

HICKLEY, Catherine. Should Munich contemporary art museum reveal or obscure its Nazi history? The Art Newspaper, 2017. Disponível em < https://www.theartnewspaper.com/news/should-munich-contemporary-art-museum-reveal-or-obscure-its-nazi-history>. Acesso em 23/11/2019.

HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos: o breve século XX. 1941-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

<https://hausderkunst.de/en/history>. Acesso em 11 de nov. de 2020.

KEYNES, John Maynard. As consequências econômicas da paz. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2002.

KOTKIN, Stephen. Magnetic Mountain: Stalinism as a Civilization. Berkeley: University of California Press, 1995.

SUDJIC, Deyan. Eastern promise: How Stalin rebuilt Moscow in his own image. CNN. Disponível em: < https://edition.cnn.com/style/article/stalin-moscow-architecture/index.html>. Acesso em: 11 de nov. de 2020.

<https://hausderkunst.de/en/history>. Acesso em 11 de nov. de 2020.

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