A morte de Virgílio de Melo Franco

A morte de Virgílio de Melo Franco

O ilustre presidente da União Democrática Nacional, secção de Minas Gerais, sr. Virgílio de Melo Franco, nome dos mais prestigiados no cenário político nacional, foi assassinado, na madrugada de hoje, por um assaltante, seu ex-empregado doméstico, no momento om que este penetrava nos aposentos em que o prócer mineiro dormia, em sua residência rua Maria Angelica, 664, no Jardim Botânico. Um ladrão vulgar, talvez, tendo sido dispensado do serviço que vinha prestando ao ilustre político, no dia 15 do corrente mês, foi o assassino que abateu, a tiros de espingarda, fazendo uso de uma arma da própria vítima, o sr. Virgílio de Melo Franco. A notícia correu célere, causando, como era natural, o mais profundo pesar, exatamente porque gozava o sr. Virgílio de Melo Franco de grandes simpatias, mesmo nos círculos partidários contrários a UDN, como, também, nos nossos meios sociais e culturais.

Encontrava-se o sr. Virgílio de Melo Franco em seu dormitório, localizado no andar superior de residência, quando, cerca das 5 horas da manhã, pressentiu que alguém subia a escada em direção àquele aposento. Como não era a primeira vez que sua casa vinha do ser visitada pelos ladrões, o sr. Virgílio de Melo Franco apanhou um revólver quo se encontrava na mesinha de cabeceira. Ao abrir a porta do quarto, deparou o Ilustre prócer político com o seu ex-empregado, que empunhava uma espingarda do dois canos e já se encontrava no segundo lance da escada que conduz ao pavimento superior. Sem perda de tempo, o assaltante acionou ambos os gatilhos, fazendo disparar dois tiros, cujas cargas de chumbo, carregadas pouco antes pelo criminoso, foram atingir o sr. Melo Franco à altura do ventre. Mesmo ferido mortalmente; o prócer mineiro fez consecutivos disparos de revolver contra o assaltante, prostando-o sem vida, ao mesmo tempo em que tombava, também, para falecer momentos depois.

 

(Jornal de Notícias de São Paulo, 30 de outubro de 1948)

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