A música à luz da neurociência

Felipe Cattapan, músico

Katja Cattapan, psiquiatra

 

Devido ao progresso tecnológico (principalmente graças ao desenvolvimento da pesquisa genética e das imagens fornecidas por ressonância magnética ou por tomografia por emissão de pósitrons), as neurociências modernas nos propiciaram, na última década, uma visão bem mais diferenciada sobre o funcionamento do nosso cérebro. Assim, muitas hipóteses obtidas somente por observação foram empiricamente confirmadas, descartadas ou relativizadas.

O pressuposto básico das neurociências é: se fazemos, pensamos ou sentimos algo, se registramos sensações ou executamos movimentos – tudo ocorre, decorre e transcorre sempre por meio de procedimentos de ativação padronizados dos nervos e do cérebro.

Curiosamente, um dos objetos favoritos de estudo dos neurocientistas é o cérebro dos músicos… Por qual motivo? E qual a influência das conclusões desses estudos para os músicos, para os professores e alunos de música e para os leigos?

Insight Inteligência - artigos e ensaios fora da curva

 

O conceito de neuroplasticidade

Os cérebros dos músicos (principalmente dos músicos profissionais) se diferenciam, em média, dos não músicos. Nas imagens dos cerébros dos músicos se encontram, particularmente, ampliações morfométricas no córtex motor primário (responsável pela função motora), no plano temporal (responsável pelos intervalos musicais), na parte frontal do corpo caloso (reponsável pela interação entre os hemisférios), no giro de Heschl (responsável pela percepção consciente de sons – veja a Figura 1) e no cerebelo (responsável pela coordenação motora fina). Funcionalmente encontra-se, em particular, um aumento de atividade na região do córtex motor (reponsável pelo controle e coordenação da motricidade).

Além disso, ao realizarem tarefas complexas, os músicos utilizam menos as áreas motoras secundárias, pois as áreas motoras primárias lhes são suficientes para atingirem uma maior eficiência no controle motor. Uma descrição das singularidades estruturais e funcionais dos cérebros dos músicos pode ser encontrada em Jäncke, 2002.

Consequentemente surge a questão etiológica: de onde provêm essas diferenças comprovadas por tantas pesquisas? Nascerão os músicos já com um cérebro diferente (explicação genética associada ao conceito de “talento”), conduzirá a prática musical durante a primeira infância a uma diferenciação específica do cérebro ou será a prática musical durante a idade adulta responsável por tais diferenças?

Naturalmente não existe uma solução única e simples, provavelmente cada uma das três respostas acima corresponde a uma parte da verdade. A maioria dos neurocientistas, no entanto, parte do princípio de que essas diferenças são o resultado de um treinamento (prática) musical e, portanto, representam um exemplo de “neuroplasticidade”. (A suposição comum de “genialidade” ou “talento” sendo assim fortemente relativizada). Em seguida apresentaremos algumas pesquisas relativas a este tema. Mas antes é importante nos determos um pouco mais no conceito de “neuroplasticidade”.

Um treinamento (ou prática) que seja exercido durante um longo período de tempo conduz a adaptações neurofisiológicas específicas do sistema nervoso central, com consideráveis modificações em diferentes funções cerebrais e até mesmo na estrutura do cérebro. Esse fenômeno é chamado de “neuroplasticidade”. A neuroplasticidade descreve a capacidade do cérebro de se adaptar continuamente às modificações do meio em que ele se encontra. Nessa adaptação, pode haver no cérebro um aumento de eficiência nas conexões entre os neurônios (células nervosas), os sistemas neuromoduladores podem se modificar e até mesmo novas células nervosas podem se formar. Especialmente o conhecimento da possibilidade de formação de novas células nervosas representou uma grande mudança de paradigma nas neurociências.

Neuroplasticidade depende de atividade: circuitos de sinapses (ligações entre neurônios) que são usados mais frequentemente tornam-se maiores (as ligações tornam-se mais densas), ao passo que os menos usados são “apagados” e “morrem”.

Após alguns trabalhos sobre neuroplasticidade em animais, somente em 2000 (apenas 11 anos atrás!) a pesquisa de neuroplasticidade em seres humanos ganhou a importância que merece – não com um trabalho sobre músicos, mas sobre taxistas londrinos (Maguire et al., 2000). Esse trabalho mostra, por meio de imagens por ressonância magnética estrutural, que uma estrutura (o hipocampo posterior) no cérebro dos taxistas se apresenta significativamente maior do que nos não taxistas. E quanto mais tempo de profissão tinham os taxistas, maior era a estrutura cerebral supracitada. Lembremos que o hipocampo posterior é responsável pela representação espacial do meio e, portanto, fundamental para os chamados “navigation skills” (capacidade de se orientar em espaços de alta complexidade). A conclusão é óbvia: pessoas que treinam de um modo especial uma determinada função – no caso dos taxistas: o senso de orientação espacial – desenvolvem de um modo especial a região cerebral responsável por tal função. O fato dos cérebros de crianças, jovens e adultos estarem aptos a desenvolver tal processo de adaptação – e da realização desse processo poder ser demonstrada por meio de imagens (por ressonância magnética) – garantiu a este trabalho o merecido reconhecimento.

A neuroplasticidade é agora plenamente reconhecida e está sendo investigada em diversos setores; os exemplos clínicos são a neuroreabilitação (depois de acidentes ou derrames cerebrais) ou a psicoterapia.

 

Treinamento (ou prática) musical

O exemplo clássico da neuroplasticidade, no entanto, são os músicos. O que é tão especial no treinamento (ou prática) musical? Praticar música é um processo altamente complexo, no qual as mais variadas funções cerebrais são ativadas… Vejamos alguns exemplos.

Normalmente, a prática musical tem início já na infância e, no decorrrer deste processo, há uma uma forte estimulação do sistema nervoso antes e durante a puberdade (na infância e na juventude o cérebro é especialmente “maleável”). O alto controle espaço-temporal, necessário para a prática musical, exige um rápido processamento de informações, o que leva à formação de fibras nervosas mais rápidas e eficientes. Em concursos e audições ocorre a liberação dos neurotransmissores dopamina e adrenalina, que favorecem a neuroplasticidade. Praticar música já é em si mesmo um forte estímulo emocional, ocasionando a liberação dos neurotransmissores dopamina e endorfina, que aumentam a neuroplasticidade.

Em seguida apresentamos, de forma bem sucinta, duas pesquisas sobre neuroplasticidade e música.

1) Schlaug et al., 2009, demonstraram que o treinamento musical induz à neuroplasticidade. Foram examinadas crianças (de 5 a 7 anos de idade) antes e após um treinamento musical de, em média, 29 meses. As crianças que absorveram este treinamento musical apresentaram, após a finalização do mesmo, modificações no corpo caloso (estrutura já mencionada neste texto em “O conceito de neuroplasticidade”). Estas modificações não foram encontradas em crianças sem treinamento musical. Como já mencionamos em “O conceito de neuroplasticidade”, os cérebros dos músicos apresentam um corpo caloso maior; com a pesquisa supracitada foi demonstrado cientificamente que esta ampliação está correlacionada ao treinamento musical.

2) Em Herdener et al., 2009 (uma pesquisa nossa), foi estudado o treinamento musical em adultos. Em um estudo longitudinal, demonstramos empiricamente que ocorreram modificações funcionais nos cérebros de adultos decorrentes de um treinamento musical. Estudantes de música (com no mínimo 18 anos de idade) foram examinados (por ressonância magnética funcional) antes e após um curso intensivo de percepção musical. Um grupo de controle com leigos (que não frequentou o curso supracitado) foi examinado paralelamente. Como paradigma, foi escolhido um teste capaz de medir variações sutis da percepção auditiva (“temporal novelty”). Após 2 semestres de curso de percepção musical, o teste acusou nos estudantes de música um aumento de atividade no hipocampo (estrutura já mencionada neste texto em “O conceito de neuroplasticidade”); no grupo de controle com leigos, no entanto, não ocorreu tal aumento de atividade. Análises suplementares demonstraram que o efeito supracitado ocorreu em função de um treinamento (no caso: o curso de percepção musical) e não somente devido a uma predisposição genética.

Uma visão geral de pesquisas sobre neuroplasticidade e música pode ser encontrada em Jäncke, 2009.

 

Influência dos conhecimentos das neurociências sobre a atitude dos músicos e dos professores e alunos de música perante a prática musical

Além das pesquisas supracitadas, gostaríamos também de mencionar brevemente mais outras três. Todos nós sabemos pela experiência própria – e isto já foi cientificamente comprovado (Jäncke, 2002) – que quanto maior a intensidade e a duração de um treinamento musical, maior a sua probabilidade de sucesso… mas será que isto basta para garantir a eficiência deste treinamento?

1) A chamada regra de Hebb (já formulada em 1949!) corresponde à visão moderna de neuroplasticidade (Hebb, 1949). Esta regra diz que o aprendizado se dá sobretudo por meio da formação de redes de neurônios; isto é, através de um grupo de neurônios interligados entre si por diversas sinapses. Aplicando esta regra à prática musical, isto significa que um treinamento puramente “mecânico” estimula menos a formação destas redes do que um treinamento realizado através de diversos canais sensoriais e/ou diversas formas diferentes; este último tipo de treinamento garante um aprendizado mais sólido. Alguns exemplos de aplicações práticas desta outra forma de treinamento seriam: o treinamento mental, a busca de soluções criativas (incomuns), o cantar de um trecho instrumental etc.

2) Schmidt e Lee, 1999, demonstraram que a motivação positiva é um fator essencial para o êxito de um treinamento. Um treinamento praticado com entusiasmo favorece inclusive a memorização, ao contrário do mesmo treinamento praticado de maneira entediada.

3) Kawashima et al., 2000, demonstraram que um outro fator essencial para o êxito de um treinamento é a existência de um feedback a quem pratica este treinamento.

Após nos debruçarmos sobre as neurociências e as suas correlações com o treinamento musical, seria importante e estratégico, agora, saber qual a consequência prática desses conhecimentos para os músicos e para os professores e alunos de música. Na nossa opinião, as pesquisas e os conhecimentos mencionados neste texto podem exercer uma forte influência na nossa atitude enquanto músicos, professores e alunos.

Como nós já vimos, o nosso cérebro é “maleável” e “flexível” (também na idade adulta) – e esta flexibilidade aumenta ainda mais quando praticamos um determinado treinamento com frequência, intensidade, motivação positiva, feedback e através de diversos canais sensoriais e diversas formas diferentes! Mas quantas vezes estes aspectos não são negligenciados na prática musical cotidiana!… O treinamento (prática) musical merece, no mínimo, uma atitude mais consciente da nossa parte. O sucesso de um músico não depende somente da quantidade de horas dedicadas à automatização e à repetição mecânica, mas principalmente do reconhecimento e da modificação conscientes dos seus defeitos e qualidades individuais (por exemplo: por meio de um feedback construtivo), bem como da sua disposição em buscar novas soluções criativas (veja regra de Hebb)! Porém, tais soluções não advêm simplesmente graças à mera repetição mecânica de um mesmo trecho musical… este tipo de repetição é sem dúvida necessária no dia a dia de qualquer músico – mas somente numa etapa posterior: durante a automatização de uma solução encontrada. Primeiramente precisamos encontrar tal solução (caso contrário corremos o risco de automatizar involutariamente um erro). A busca de uma solução adequada é sempre um ato individual, mas, durante o processo de formação, um bom professor pode ajudar muito. Além da consulta externa, há também outras ideias e métodos que podem nos auxiliar nesta busca tão complexa; no momento nos limitamos a citar somente alguns deles, a título de exemplo:

  1. a) A busca intuitiva de movimentos adequados (Biesenbender, 2007), em que a atenção do aluno é canalizada primeiramente para a meta do movimento (no caso: a qualidade do som) e não diretamente para a coordenação motora do movimento em si.
  2. b) A diferenciação das diversas formas de repetição de um trecho musical (Ernst, 2007), em que, por uma análise comparativa, pretendem-se elucidar as diferenças sutis entre as diversas possibilidades de repetição – para somente depois se decidir qual delas seria a mais conveniente no tratamento de uma determinada dificuldade.
  3. c) O treinamento mental (Pohl, 2007), com diversas sugestões de como se praticar sem o instrumento – por meio de várias técnicas imaginativas, que aliás também propiciam uma memorização mais eficaz da obra a ser executada.
  4. d) A correlação entre a fala e a prática musical (Mantel, 2007), em que o próprio aluno, por meio de diversos recursos verbais (inclusive o diálogo consigo mesmo), tenta chegar às suas soluções e conclusões.

Reparem que as quatro alternativas acima propõem uma mudança de perspectiva, passo inicial para se tentar encontrar a solução desejada; uma mera insistência repetitiva em uma perspectiva antiquada demonstra-se com frequência insuficiente para resolver as nossas dificuldades… Ou seja: a mudança de perspectiva nasce de uma atitude mais flexível e aberta perante a prática musical, pois uma nova solução não surgirá simplesmente de uma repetição mecânica por meio de um método ou técnica já rotineiros.

Em vez da atitude fatalista “eu não tenho talento suficiente” emerge uma outra, baseada no “novo conhecimento” de que podemos atingir algo de grandioso ao desenvolvermos e expandirmos as nossas habilidades musicais com criatividade, reflexão, motivação positiva, disciplina, perseverança, um feedback construtivo e o apoio de bons professores.

 

Outros conhecimentos das neurociências e da psicologia com relevância para músicos

A neuroplasticidade é somente um dos conhecimentos atuais que podem ser úteis aos músicos. Vejamos, brevemente, alguns outros exemplos.

A profilaxia e o tratamento da distonia focal (uma doença típica de músicos, em que os movimentos tornam-se caóticos e descontrolados, devido a um “ajuste incorreto” entre os sistemas sensorial e motor no cérebro) fazem parte das neurociências. Muitos músicos sofrem de medo e nervosismo excessivos no palco; em casos extremos, esse medo e nervosismo preenchem os critérios para um diagnóstico de uma fobia social específica. Um treinamento de palco supervisonado por um especialista, bem como técnicas cognitivas de terapia comportamental são algumas das alternativas adequadas para se tratar essa “fobia”. Outros temas relevantes para músicos são a gestão do tempo, o controle do “estresse” e as técnicas de relaxamento. Conhecimentos da psicologia da aprendizagem (como, por exemplo, o já mencionado treinamento mental) podem facilitar e melhorar a prática musical.

No nosso curso no Departamento de Música da Universidade das Artes de Berna ensinamos aos estudantes de segundo ano “Técnicas de Aprendizado Musical”. A nossa aula interdisciplinar é também um seminário, combinando os conhecimentos das neurociências e da psicologia com exercícios práticos musicais. As nossas principais metas são uma maior sensibilização para o processo de prática musical como um todo (veja a Figura 2), um trabalho de assistência individual às dificuldades particulares dos alunos e a apresentação de possíveis soluções fundamentadas em conhecimentos teóricos e na experiência prática. Os conhecimentos provenientes da neuroplasticidade são, para nós, um aspecto essencial do saber e da experiência que procuramos transmitir aos estudantes.

 

Conclusão – para músicos e leigos

Citando o neurocientista Richard Davidson (Bures, 2007), professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Wisconsin-Madison (Estados Unidos):

“O cérebro é o órgão que foi feito para se modificar reagindo a experiências mais do que qualquer outro órgão. (…) Estruturalmente e funcionalmente ele se modifica em função de novas informações e novos aprendizados. (…) Se os nossos cérebros podem se modificar, nós podemos nos modificar (…).

As implicações dessas descobertas serão de grande alcance. Serão sociais, porque as pessoas vão ter que assumir mais responsabilidade pelas vidas que constroem ao seu redor. Serão políticas, porque se o indivíduo pode mudar, a sociedade pode mudar. Serão pessoais, pois todos nós teremos mais a dizer sobre (a responsabilidade pelas) nossas vidas, nossas mentes e nossa felicidade.”

 

O autor é regente de orquestra e professor do Departamento de Música da Universidade de Artes de Berna, Suíça.

felipe.cattapan@gmail.com

 

A autora é professora da Universidade Hospital de Psiquiatria e Psicoterapia da Universidade de Berna, Suíça.

katja.cattapan@puk.unibe.ch

 

BIBLIOGRAFIA

 

BIESENBENDER V. Von der Wiedereroberung des Selbstverständlichen – Geigerische Selbstgespräche über die notwendige Funktion des Intuitiven. In MAHLERT U (ed.). Handbuch Ueben – Grundlagen, Konzepte, Methoden. 2. ed. Wiesbaden, Leipzig, Paris: Breitkopf und Härtel, 2007.

Bures F. (internet communication, Interview with Richard Davidson, Ph.D.) Brain Storm: Richard Davidson wants you to free your will, change your brain, and take a journey to the center of your mind. Madison Magazine (www.madisonmagazine.com), November 2007.

ERNST A. Didaktik des Übens. In MAHLERT U (ed.). Handbuch Ueben – Grundlagen, Konzepte, Methoden. 2. ed. Wiesbaden, Leipzig, Paris: Breitkopf und Härtel, 2007.

HEBB DO. The Organization of Behavior: a neuropsychological approach. New York: Wiley, 1949.

Herdener M, Esposito F, di Salle F et al. Musical training induces functional plasticity in human hippocampus. Neurosci. 2010; 30(4):1377-84.

Jäncke L. The plastic human brain. Restor Neurol Neurosci. 2009; 27(5):521-8.

Jäncke L. What is special about the brain of musicians? Neuroreport. 2002; 33(6):741-2.

Kawashima R, Tajima N, Yoshida H et al. The effect of verbal feedback on motor learning–a PET study. Positron emission tomography. Neuroimage. 2000; 12(6):698-706.

Maguire EA, Gadian DG, Johnsrude IS et al. Navigation-related structural change in the hippocampi of taxi drivers. Proc Natl Acad Sci USA. 2000; 97(8):4398-403.

MANTEL G. Üben und Sprechen. In MAHLERT U (ed.). Handbuch Ueben – Grundlagen, Konzepte, Methoden. 2. ed. Wiesbaden, Leipzig, Paris: Breitkopf und Härtel, 2007.

POHL CA. Mentales Üben. In MAHLERT U (ed.). Handbuch Ueben – Grundlagen, Konzepte, Methoden. 2. ed. Wiesbaden, Leipzig, Paris: Breitkopf und Härtel, 2007.

Schlaug G, Forgeard M, Zhu L et al. Training-induced neuroplasticity in young children. Ann N Y Acad Sci. 2009; 1169:205-8.

Schmidt, RA, Lee TD. Motor Control and Learning. 3. ed. Urbana-Champaign: Human Kinetics, 1999.

Slagter HA, Lutz A, Greischar LL et al. Mental training affects distribution of limited brain resources. PLoS Biol. 2007; 5(6):e138.

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *