Confissões de um blogueiro sujo

Confissões de um blogueiro sujo

Miguel do Rosário, Jornalista

 

Eu sou um blogueiro. É minha profissão há vários anos. Vivo disso. Sustento minha casa, minhas cervejas, meus restaurantes, minhas viagens, com o dinheiro honesto e suado do meu trabalho como escritor político, usando a internet como plataforma.

É a partir desse ponto de vista, de um blogueiro sujo, ou progressista, ou de esquerda, que escrevo esse artigo. Em alguns momentos, o texto pode parecer demasiadamente pessoal, mas é que se trata de um trabalho tremendamente solitário e pioneiro. Mas também tentarei, na medida do possível, descrever o universo blogueiro para além da minha experiência singular.

As perguntas que fundamentam este ensaio são: como surgiram os blogueiros políticos independentes? De onde vieram? Há algum tipo de organização ou combinação entre eles? Quais são suas afinidades e divergências? Qual a sua audiência e como financiam seus blogs? Por que se tornaram uma espécie de falange contra-hegemônica? Por que brigam tanto com a grande mídia? Qual a função política dos blogs no atual estágio da nossa democracia? Qual a sua influência concreta no debate público? Quais foram as baixas nessa luta? Quais foram suas maiores vitórias?

Antes de responder a estas perguntas, gostaria de oferecer ao leitor alguns esclarecimentos gerais.

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Em 2010, o então candidato à presidência da república, José Serra, foi o primeiro a nos xingar de blogs sujos. Serra se viu obrigado, talvez pela primeira vez na vida, a responder perguntas incômodas, que vinham à tona em função de denúncias publicadas em blogs. Essa foi o motivo de sua irritação. Incorporamos alegremente o apelido, em virtude de nossas origens boêmias: o bar onde nasceu o instituto Barão de Itararé, que faz o papel de sindicato informal dos blogs, chama-se Sujinho. E desde sempre o chamado pé-sujo, frequentado por estudantes e intelectuais, se contrapõe à decoração bourgeoise, limpa e bem iluminada, dos bares preferidos por executivos, altos servidores e demais homens de bem.

É um estereótipo bobo, claro. Eu gosto, todos nós gostamos, de frequentar lugares limpos e iluminados.

No fundo, somos todos burgueses: blogueiros sujos e jornalistas convencionais. Conservadores, progressistas, reformistas ou revolucionários, o que nos separa hoje, no atual estágio de nossas democracias, como diria o sábio Woody Allen, são opiniões divergentes sobre o uso dos impostos.

Em 2014, foi a vez de Aécio Neves, também candidato à presidência da república, num dos últimos debates do segundo turno, citar os blogs sujos.

O tucano foi ainda mais agressivo: com expressão fortemente indignada, vociferou algo como: “isso é coisa desses blogs financiados com dinheiro público”.

É assim que nos chamam agora: blogs chapa-branca, financiados com dinheiro público. Um dos jornalões mais conhecidos tem nos atacado frequentemente em seus editoriais usando esses carinhosos epítetos.

Vou rebater esses adjetivos ao longo do artigo.

Por enquanto, sigamos a ordem das perguntas.

Como surgiram os blogueiros progressistas? De onde vieram?

Os blogs são filhos, é verdade, do lulismo. Mas por uma coincidência. A vitória de Lula em 2002 coincidiu com a explosão da internet no Brasil.

O primeiro blog político com mais projeção foi o blog do Noblat, inicialmente hospedado no site do Estado de S. Paulo, que começou a fazer sucesso em meados de 2005, durante o escândalo do mensalão.

O blog do Noblat, que em seguida migrou para O Globo, tornou-se uma espécie de ponta de lança dos ataques da oposição ao governo Lula.

O massacre midiático contra o governo Lula era avassalador e completamente assimétrico. Não havia nenhum tipo de contraponto.

Até que apareceram os blogs progressistas. Não surgiram por iniciativa do governo ou do PT. Brotaram naturalmente do caos político nacional.

Organizações políticas tinham sites desde os primórdios da internet, nos anos 90, mas não usavam a rede como instrumento de participação política.

Os blogs sim, desde que surgiram, eles se jogam bem no meio das batalhas políticas, procurando oferecer uma narrativa diferente daquela veiculada pelos grandes meios de comunicação.

É interessante notar que, no âmbito da América Latina, os blogs políticos são um fenômeno tipicamente brasileiro.

A partir do início do novo milênio, a América do Sul dá uma virada política à esquerda, com ascensão de governos progressistas. O Brasil não ficou de fora dessa onda, com a eleição de Lula.

Mas aqui no Brasil notou-se, desde o início, uma diferença fundamental na maneira como a esquerda governamental lidou com o problema de comunicação.

A esquerda brasileira, ao contrário de suas congêneres latino-americanas, nunca construiu uma estratégia original de comunicação, e não foi diferente quando chegou ao poder.

Todos os empregos da área de comunicação, assessoria de imprensa e relações públicas do novo governo foram ocupados por jornalistas oriundos da imprensa tradicional.

Os governos do PT não assumiram, jamais, o protagonismo de sua própria comunicação. O PT sempre entendeu a política de comunicação como uma espécie de relações públicas com os meios tradicionais.

Com Dilma, esse quadro se agravou. Uma das primeiras aparições públicas da presidenta, após sua primeira vitória eleitoral, foi num programa da Ana Maria Braga, na TV Globo, fazendo omeletes.

Em outros países, os governos criaram jornais, TVs, programas de rádio, fizeram leis de mídia. Tiveram uma postura assertiva, até mesmo agressiva, em matéria de política de comunicação.

Aqui no Brasil, não. Os governos do PT, talvez constrangidos por suas próprias contradições internas, adotaram a estratégia da mudez completa, gerando um vácuo de comunicação, ainda mais notável diante do posicionamento editorial cada vez mais crítico adotado pelas principais empresas de mídia. Esse vácuo teria de ser, necessariamente, ocupado por algo. E esse algo foram os blogs.

Pode-se afirmar, portanto, que os blogs progressistas surgiram do vácuo criado pela recusa (ou covardia) dos atores políticos oficiais de assumirem o protagonismo nas grandes batalhas pela conquista da opinião pública.

Os governos do PT venceram quatro eleições presidenciais consecutivas. Conclui-se daí que há uma importante parcela da sociedade que apoia suas gestões e tinha necessidade de ler notícias e opiniões que constituíam um contraponto ao que viam na mídia tradicional.

Não significa que essas pessoas não sejam críticas, que não enxerguem os erros do governo e do PT, que sejam lenientes com a corrupção etc. Apoiam, defendem e votam no PT, após pesarem prós e contras, e não há nada, por enquanto, que as proíbam de fazê-lo. A menos que a criminalização da política se aprofunde a tal ponto que o Judiciário passe a prender também eleitores.

Passemos à segunda pergunta.

Há algum tipo de organização ou combinação entre eles?

Não.

E sim.

Embora seja completamente anárquica, ou talvez justamente por causa disso, a principal característica da blogosfera progressista é a sua organicidade. É uma espécie de ecossistema próprio. Surge espontaneamente, num processo singular de darwinismo político.

Não há organização ou combinação entre blogs e o público dos blogs. No entanto, em função da afinidade ideológica, pela esquerda e pela centro-esquerda, essa organização acaba por se materializar.

Com o tempo, contudo, surgiu um embrião de organização, por intermédio do Barão de Itararé, instituição sediada em São Paulo, com filiais no Brasil inteiro, responsável por organizar encontros nacionais e estaduais de blogueiros.

Não há, porém, nada parecido com “diretriz” ou “orientação” política.

Nada é combinado.

Por outro lado, se o que é publicado num blog tem repercussão, o assunto rapidamente ganha o conjunto dos blogs, de uma maneira também bastante natural. Os blogs estão mergulhados numa espécie de magma comum, o seu público, que não é apenas consumidor, mas comentarista e multiplicador de conteúdos. Se o público passa a multiplicar um conteúdo, o blogueiro é praticamente inundado por esse conteúdo e daí, querendo ou não, tem de reagir a ele, seja replicando-o, seja contestando-o.

Quais são suas afinidades e divergências?

Suas afinidades já foram comentadas. Entendo ser interessante falar nas divergências entre os blogs. Farei uma experiência. Vou listar os blogs progressistas mais conhecidos (pelo menos para mim) e aplicar-lhes alguns adjetivos.

Conversa Afiada: Paulo Henrique Amorim é um dos nossos blogueiros mais resolvidos do ponto de vista comercial e político. Sua maior qualidade é o humor sarcástico. Seu governismo duro, que irrita alguns, lhe garante, por outro lado, um público extremamente fiel, incluindo aí, é claro, o próprio governo.

Jornal GGN: Nassif faz o tipo sério. O analista político severo e implacável. Suas críticas, porém, são quase sempre procedentes. Talvez peque apenas por pretender ser sério demais, sentencioso demais. Em se tratando de política brasileira, excesso de seriedade soa um pouco pretensioso.

Diário do Centro do Mundo: Paulo Nogueira e seu irmão, Kiko Nogueira, são os membros mais recentes da blogosfera progressista, e se tornaram, na minha opinião, o modelo mais equilibrado e mais profissional do nosso campo, que possivelmente copiou de exemplos de blogs bem-sucedidos dos Estados Unidos. Seu estilo editorial é leve, sincero e bem-humorado.

Tijolaço: Fernando Brito é o blogueiro mais bem resolvido consigo mesmo na internet de esquerda. Como sócio do Tijolaço, posso dizer o seguinte: Brito é a pessoa mais íntegra e mais honesta que já conheci. Sua qualidade é uma capacidade de trabalho fora do normal. Escreve vários posts por dia, curtos e objetivos, abordando sempre os assuntos mais quentes do dia. Tem obtido, com alguma regularidade, furos importantes para a blogosfera. É um dos blogueiros mais replicados e respeitados do nosso campo.

Cafezinho: É bastante ridículo falar de mim mesmo, mas vamos lá. Defeitos: textos prolixos, excessivos, às vezes um pouco melodramáticos, frequentemente paranoicos. Atualização irregular. Qualidades: tem procurado externar críticas ao governo e ao PT sem cair na esparrela midiática. Tem bastante penetração nos meios acadêmicos.

Blog da Cidadania: Eduardo Guimarães é um cara incrível e meu amigo pessoal. Tem sido um dos blogueiros mais resistentes do nosso campo, mas perdeu um pouco do entusiasmo que lhe caracterizava após as chamadas jornadas de junho, contra as quais até hoje lança invectivas furiosas. É, de longe, o mais governista de todos.

Socialista Morena: Cynara Menezes tem a qualidade de entender e falar a linguagem do mundinho nerd. Após se desligar da Carta Capital e decidir se tornar blogueira full time, vem construindo sua reputação e cavando seu espaço. Não parece ter muita paciência para acompanhar o frenesi de escândalos e polêmicas diários que assolam a política brasileira.

As divergências entre os blogs se tornam mais evidentes em momentos de tranquilidade política, os quais, infelizmente, têm sido raros.

Qual a sua audiência e como financiam seus blogs?

Cada um dos blogs progressistas têm registrado audiências de 1 a 7 milhões de pageviews por mês. Considerando que são blogs políticos, voltados para o público brasileiro interessado em política, pode-se dizer que eles atingem quase a totalidade desse público.

Se considerarmos que o site do New York Times, um dos jornais mais importantes do mundo, recebe mensalmente, do mundo inteiro, cerca de 20 milhões de visitas, a perfomance da blogosfera brasileira demonstra um vigor impressionante.

Outro fator importante a se considerar, é que os blogs progressistas se tornaram referência no campo do jornalismo, sobretudo num momento da transição tecnológica em que o modelo da imprensa tradicional entrou em crise, enxugando redações ou fechando as portas.

Neste cenário sombrio, eles têm ganhado prestígio junto à universidade. As faculdades de jornalismo têm convidado blogueiros progressistas para participarem de palestras, e não jornalistas da chamada mídia velha.

O financiamento dos blogs vêm basicamente de duas fontes: publicidade e assinatura. Há uma terceira, o chamado crowdfunding, onde os internautas financiam uma reportagem a ser publicada no blog, mas esse é um financiamento de um determinado conteúdo, não do blog em si.

O meu blog, Cafezinho, foi um dos pioneiros no uso da assinatura como forma de financiamento. O blog tem áreas exclusivas para assinaturas, que só podem ser acessadas após o internauta logar-se, usando login e senha disponibilizados no momento de assinatura.

A tecnologia facilitou muito. Eu instalei um plugin no Cafezinho, por exemplo, que integra o blog a um sistema automático de pagamento e geração de senhas. O internauta clica num link, faz o pagamento e recebe automaticamente o seu login e senha. E o seu acesso dura exatamente o tempo correspondente ao valor pago no momento de sua assinatura.

Não preciso de um departamento de assinatura para controlar isso.

A outra fonte de financiamento é a publicidade. É nesse ponto que os adversários dos blogs nos acusam de sermos financiados com verba pública.

É um problema histórico para os veículos de comunicação contra-hegemônicos, agravado no Brasil pela concentração absurda dos meios de comunicação e pela existência dos chamados bônus de volume, uma espécie de prêmio que as grandes empresas de mídia dão às agências de publicidade por sua fidelidade. No Brasil, os bônus de volume às vezes são pagos bem antes das agências veicularem anúncios nas plataformas.

O setor público, por outro lado, precisa obedecer a critérios mais democráticos e mais transparentes de inserção da publicidade institucional, e essa é a razão pela qual ele anuncia nos blogs.

Além disso, é evidente que, se os blogs se caracterizaram como veículos de oposição política à grande mídia, assim como a grande mídia se caracteriza como oposição ao governo, as empresas têm o justificado medo de se tornarem alvo da grande mídia caso anunciem nos blogs.

O dinheiro de publicidade é um recurso finito e disputado palmo a palmo pelas empresas de mídia. Com a explosão da informação gratuita na internet, nenhuma empresa de mídia, que trabalha com notícias gerais, pode contar em ganhar muito vendendo notícias. O público quer notícia gratuita. Os gigantes da internet, como Google e Facebook, absorvem cada vez pedaços maiores da verba publicitária nacional e global.

É natural, portanto, que as empresas de mídia tradicionais lutem encarniçadamente para não perder recursos publicitários para blogs de jornalismo e opinião, sobretudo recursos vindos da esfera pública, os quais correspondem, historicamente, por boa parte das receitas gerais dessas empresas.

Quando se pensa no financiamento dos blogs, deve-se lembrar, por outro lado, que eles permitem um custo de produção jornalística infinitamente menor, embora não necessariamente com menor qualidade. Como acontece com todas as empresas da chamada nova economia, as suas taxas de retorno, o seu lucro, são muito altas. Isso é o que fez um blog como o Huffington Post, por exemplo, ser comprado, em 2011, por 311 milhões de dólares, apenas um quarto do valor pago, hoje, pelo jornal financeiro mais famoso do planeta, o Financial Times, vendido por 1,3 bilhão de dólares. Para efeito de comparação: o aplicativo Whatsapp foi comprado pelo Facebook pelo valor de 22 bilhões de dólares.

Por que os blogs se tornaram uma espécie de falange contra-hegemônica? Por que brigam tanto com a grande mídia?

Não é preciso ser um grande teórico de sociologia para intuir que uma população de 205 milhões de habitantes, numa economia complexa de livre mercado, num regime democrático, não suportaria ser controlada mentalmente por meia dúzia de grupos midiáticos.

O clima de confronto entre mídia e blogs, por sua vez, reflete as dores de uma transformação profunda. Mídias e blogs representam dois mundos diferentes, opostos, com visões do jornalismo e do mundo completamente antagônicas.

O jornalismo tradicional da grande mídia acredita na imparcialidade, enquanto a blogosfera acredita na transparência. São dois conceitos opostos. A imparcialidade da mídia é vista como hipócrita pela blogosfera e, portanto, opaca, obscura. A transparência da blogosfera é vista como parcialidade pela mídia.

A blogosfera intui que, para construir o seu público, precisa, por assim dizer, roubá-lo da grande mídia. Para isso, precisa apontar as contradições e falhas do jornalismo da grande mídia. É preciso incutir a desconfiança no leitor, para que este procure outras fontes de informação.

A mídia responde aos blogs com agressividade porque, como já foi dito, vê que eles representam uma ameaça a seu modelo de negócios. Num primeiro momento, a própria mídia tentou abraçar a ideia de blogs. A Globo, por exemplo, criou centenas de blogs. Estimulou todos os seus jornalistas a publicarem blogs. Mas não adiantou muito. As pessoas procuram os blogs justamente por aquilo que eles possuem de diferente em relação à grande mídia.

Qual a função política dos blogs no atual estágio da nossa democracia? Qual a sua influência concreta no debate público?

A função política dos blogs, como já foi dito, é quebrar o monopólio da opinião exercido pela grande mídia. Após décadas de controle da opinião pública, criou-se no Brasil uma espécie de teoria tácita segundo a qual só existiria uma narrativa política, aquela contada pelo grupo de empresas que controlam a comunicação social no país. Essas empresas têm um acordo entre si, e nenhuma discorda jamais de outra. Acertam e erram unidas, como um cartel. Compartilham os mesmos colunistas, as mesmas ideias, as mesmas análises.

Naturalmente que, se tem audiência elevada e se posicionam politicamente com bastaste transparência, os blogs adquirem alta importância na formação da opinião e no processo eleitoral. A sua influência pode ser medida, portanto, pelos resultados eleitorais, sobretudo a partir de 2010. O episódio da bolinha de papel, factoide tucano desmascarado nas redes sociais e nos blogs, já foi fartamente discutido em toda parte.

Quais foram as baixas nessa luta? Quais foram suas maiores conquistas?

A blogosfera passou por um processo de seleção natural. Muitos blogs foram ficando pelo caminho, surgiram outros, alguns poucos se consolidaram. Processos judiciais, frustrações políticas e falta de recursos são os principais motivos pessoais. A chegada do Facebook foi a razão conjuntural mais importante. Uma página pessoal no Facebook oferece ao cidadão tudo aquilo que antes o blog oferecia, com várias vantagens: maior controle sobre quem irá comentar, muito mais segurança (o Facebook não sai do ar, ninguém consegue derrubá-lo), menor custo (grátis), e um sistema já automático de distribuição do seu texto.

Entretanto, as redes sociais, incluindo o Facebook, também se tornaram os maiores aliados da blogosfera, na medida em que a maior parte da audiência dos blogs vem de compartilhamentos e comentários feitos nas redes.

As maiores conquistas da blogosfera, naturalmente, têm sido as vitórias eleitorais, em especial as da presidente Dilma Rousseff.

A vitória de 2014 foi particularmente importante para a blogosfera, porque desta vez a mídia corporativa se uniu mais que nunca em torno da oposição, e teve um claro apoio do mercado internacional, conforme se podia notar pela oscilação nas cotações da Petrobrás. Além disso, a mídia tinha uma arma importante nas mãos: um escândalo real de corrupção, ocorrido nas barbas do governo, com acusações gravíssimas contra os principais partidos governistas.

Não foi à toa que o candidato da oposição, Aécio Neves, vociferou contra os blogs durante um dos últimos debates presidenciais.

Era nos blogs e nas redes sociais que as denúncias contra ele furavam o bloqueio midiático e ganhavam corpo.

Pouco antes de concluir este artigo, eu publiquei, antes de qualquer outra mídia, um post comentando o editorial do New York Times contra o impeachment da presidenta Dilma. Em pouco mais de dois dias, o post já tinha mais de 40 mil compartilhamentos e quase 700 comentários.

No dia seguinte, as principais entidades do setor produtivo do país, mais a OAB, divulgaram manifesto em favor da governabilidade e da estabilidade política, claramente se posicionando também contra qualquer movimento golpista para encurtar o mandato da presidenta Dilma.

Gosto de pensar que a blogosfera ajudou a construir uma saída para uma das mais duras crises políticas da nossa história recente.

 

O autor é responsável pelo blog O Cafezinho

migueldorosario@gmail.com

 

Miguel do Rosário

Geografia da guerrilha midiática

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