Educação – Em busca da competitividade perdida

Educação – Em busca da competitividade perdida

Jair Koiller

 

“If you think education is expensive, wait until you see how much ignorance costs in the 21st century”

Barak Obama, por tweet, 24/7/2013

 

Como o Brasil poderia tornar-se competitivo economicamente ainda neste século?

Insight Inteligência - artigos e ensaios fora da curva

A citação de Obama remete ao último curso do professor Wanderley Guilherme dos Santos, “Introdução ao século 21”, ministrado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, o IESP, que “examinava uma literatura que explorava não só a ciência política, mas campos e temas diversos: a engenharia robótica, a demografia, o estudo das transformações históricas nos modos de produção, a informática e a sociedade da informação” [1].

Em seu recente livro [2] Thomas Piketty demonstra com dados eloquentes, que o único caminho para a competitividade é democratizar a Educação. É o que propõe o movimento Todos pela Educação (N1), fundado em 2006: “Escola pública de qualidade para todos, absolutamente TODOS. É isso que garantirá igualdade de oportunidades a todos brasileiros(as)”.

A universalização da escola pública foi a principal proposta do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova de 1932 [3] liderado por Fernando de Azevedo. Programa de Estado, liberal e inspirado pelos EUA, nunca pode ser levado a termo plenamente. Sempre enfrentou atroz resistência.

Balizamos este artigo com dados comparativos entre os anos 2007 e 2015, relativos às cinco metas do Todos pela Educação. Mostram que de fato houve algum avanço no período dos governos do Partido dos Trabalhadores. Quantificamos o que falta para alcançar as metas, fundamentais para que nosso país possa recuperar respeito internacional e vir a ter competitividade ainda no século 21.

A partir de 2016 entramos em crise econômica, seguida por retrocesso político, agravados em 2020 pela pandemia. Houve queda na expectativa de vida. As desigualdades aumentaram, especialmente na Educação. Há muitas famílias com fome. Temos alto desemprego e inflação.

Ainda assim, controlando a pandemia e recuperando um ambiente político sadio, os números que apresentamos aqui mostram que poderemos avançar muito em pouco tempo. Isto, se à educação pública for dada prioridade máxima, como política de Estado, independentemente de todos os futuros governos.

Para que este artigo possa ser útil de alguma forma, tomamos por premissa que haverá eleição em 2022. É de se imaginar que resultará em alternância de poder (N2).

Alguns dados demográficos e de renda familiar, 2007-2015 (N3)

A fração dos brasileiros menores de 18 anos está diminuindo, enquanto a população total está aumentando. Será preciso aumentar a produtividade para que a Previdência Social possa atender as novas aposentadorias. Aguardemos o novo Censo (ver tabela 1).

Desde 2008, os pretos e pardos formam a maioria da população brasileira (ver tabela 2).

A tabela 3 mostra a distribuição de renda domiciliar por quartis. São novamente comparados os anos de 2007 e 2015. A tabela tem duas partes. A primeira é global, a segunda fornece a distribuição marginal dentro de cada cor.

As colunas Brn, Par e Pre mostram ter havido de fato alguma melhora na distribuição de renda domiciliar no período. No entanto, a concentração de renda no Brasil é altíssima, e se mostra perversa em relação à cor da pele.

A renda familiar mensal do início do 4º quartil em 2015 era de 3.818 reais, o que na época valia cerca de 1.200 dólares (N4).

As 5 Metas do Todos pela Educação (mais informações se acham no sítio)

Meta 1. Toda criança e jovem de 4 a 17 anos de idade deve estar na escola. Até o ano 2022, 98% das crianças e jovens entre 4 e 17 anos deveriam estar matriculados e frequentando a escola, ou já ter concluído o Ensino Médio (EM).

Meta 2. Toda criança deve ser alfabetizada até os 8 anos de idade.

Importante: a alfabetização em matemática é tão importante quanto a leitura.

Até 2022, 100% das crianças devem ter as habilidades básicas de leitura, escrita e matemática aos 8 anos de idade ou até o final do 2º ano do Ensino Fundamental (EF).

Meta 3. Todos os alunos terão aprendizado apropriado para o correspondente ano escolar. Até 2022, 70% ou mais dos alunos estarão na idade certa.

Meta 4. Todos os jovens com 19 anos de idade devem ter Ensino Médio completo.

Até 2022, 95% ou mais dos brasileiros de 16 anos devem ter concluído o Ensino Fundamental e 90% ou mais dos brasileiros com 19 anos ou mais devem ter concluído o Ensino Médio.

Meta 5. O investimento em educação estar bem administrado e expandido.

Até 2022, o investimento público na Educação Básica deve ser de 5% ou mais do Produto Interno Bruto (PIB).

Interpretação das estatísticas

Apresentamos três tabelas. A coluna “diff” mostra a diferença entre as percentagens que aparecem nas colunas 2007 e 2015. As colunas com a sigla “s.e.” (standard error, desvio padrão) não importam para o leigo.

Faremos agora algumas considerações, convidando o leitor(a) a fazer sua própria análise. A primeira tabela mostra que em relação à Meta 1 (matrícula), houve bons avanços: a tendência de 2007 para 2015 foi bastante positiva. A subtabela de 15 a 17 (geral) inclui alunos atrasados ainda no EF e alunos que acabaram o EM.

De 6 a 14 anos, em todos os quartis de renda familiar, independentemente do sexo e da cor, 98% ou mais das crianças estavam na escola em 2015.

Além disso, houve um grande progresso para as crianças de 4 a 5 anos. O Plano Nacional de Educação previa 50% em 2024 no pré-escolar.

Conclusão: se o investimento em Educação Pública for intensificado nos próximos anos, as metas I e II podem ser atingidas rapidamente − e a meta III também, com um forte esforço para a recuperação do tempo perdido, devido à pandemia, pelas crianças e pré-adolescentes de famílias de baixa renda.

O problema da qualidade do ensino e o BNCC

Como é bem sabido, em relação à Meta 4, temos um grave problema − a faixa etária de 15 a 17 anos. Surpreendentemente, isto se dá mesmo no quartil superior de renda familiar – veja-se, por exemplo, a cifra de 91,85% na quarta parte da primeira tabela (a entender: o que também está acontecendo com jovens do quartil de maior renda?)

No todo, observa-se que as meninas superam os meninos em todas as classes sociais, desde a alfabetização. Isso se acentua ainda mais conforme os avanços da escolaridade. Veja-se as tabelas relativas à meta 4, que descrevem a conclusão com no máximo um ano de atraso. A taxa de conclusão das meninas, independentemente do número de repetições, é de 10 pontos percentuais a mais.

Isso traz à tona a questão fundamental: a qualidade do ensino público. Com o intuito de atacar o problema, foram iniciadas, em dezembro de 2015, na gestão de Dilma Rousseff, discussões para a criação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada no apagar das luzes do governo Temer, em 14 de dezembro de 2018.

“Documento normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, (…) balizadora da qualidade da educação no País por meio do estabelecimento de um patamar de aprendizagem e desenvolvimento a que todos os alunos têm direito” (N5).

A implementação do BNCC deve ser acompanhada de perto pela sociedade no próximo governo, ouvindo os professores.

Estudiosos da Educação temem que em sua implementação, as melhores intenções possam (como diz o ditado) povoar as profundezas (N6). No caso de continuidade do governo atual, advertem que o ensino nas escolas públicas deverá piorar, e que o BNCC facilitaria um ensino ainda mais “pasteurizado” nas particulares. Dito isso, caso o PT volte ao poder em 2022, remeto ao desabafo de Renato Janine Ribeiro sobre suas próprias dificuldades com o fogo amigo dos movimentos sociais e dos sindicatos em sua breve gestão [4]. Nada é fácil!

Ponto de vista

Até aqui nos limitamos a informações factuais. Antes de prosseguir, tomo a liberdade de fazer considerações pessoais. Voltando à premissa feita no início do artigo, sou da geração que tinha dez anos de idade na Copa de 1958. Acreditávamos num destino manifesto do povo brasileiro. O que tivemos em nossa infância naqueles anos dourados, tememos que a reeleição de Bolsonaro ou um autogolpe seria um desastre irreversível para o Brasil. Não sendo um cientista social e muito menos um especialista em educação pública, que envolve a história do país, as discussões ideológicas, a economia e a política, remeto, humildemente, ao que nos dizem os estudiosos (N7). No entanto, tendo sido professor universitário por cinquenta anos, atualmente envolvido no PROFMAT, programa de mestrado profissional majoritariamente para professores de matemática da rede pública (N8), apresento-me como cidadão brasileiro interessado no tema. Minhas colocações refletem leituras, conversas com professores do Ensino Médio com os quais tive o privilégio de conviver, e com o grupo de estudos MemoCap (N9).

Um mote para a campanha eleitoral: “pela nossa competitividade”.

No restante deste artigo apresento os temas que gostaria de ver debatidos na campanha eleitoral de 2022. Sendo panglossiano: será consensual por todos os candidatos.

Prioridade à Educação Pública!

Com seu Baile de Favela, Rebeca Andrade nos dá a certeza do potencial dos nossos jovens. Começou sua formação de ginasta num projeto social em Guarulhos.

Infelizmente perdemos a autoestima nos últimos anos. O “7×1” foi um duro alerta de que tínhamos ficado para trás. Logo no futebol! Os dois títulos olímpicos da seleção não consolam: o trauma somente se dissipará quando formos “às forras”.

O atletismo talvez sirva melhor como medida de competitividade. Lauter Nogueira, especialista no tema, embora tenha ressaltado uma performance singular de três dos nossos atletas em Tóquio (Alison, Thiago e Darlan; este último, mesmo em quarto lugar, foi brilhante) alerta que nossos atletas não têm marcas competitivas.

O fato real é que, dadas as transformações na economia mundial apontadas no curso de Wanderley Guilherme, o Brasil está numa situação de extrema vulnerabilidade. Índices como o do PISA (N10) mostram a defasagem de desempenho dos nossos jovens no âmbito escolar. Isto reflete nossas desigualdades sociais, porém é espantoso que a defasagem ocorra também, e é ainda mais acentuada, comparando internacionalmente os nossos jovens nas faixa de maior renda.

Roberto DaMatta afirma: nossas elites sempre foram preguiçosas e mal educadas [5].

O momento é propício para ressaltar o papel da ciência. Também espantoso que as FFA’A, instrumentais na criação do CNPq e da CAPES no pós-guerra, em especial a Marinha, não tenham tratado de proteger as instituições científicas. Infelizmente, desde o início, o governo Bolsonaro tratou os cientistas (e os profissionais da cultura) como inimigos.

Na campanha eleitoral, uma frente democrática dará ênfase ao muito que a ciência brasileira contribuiu no trabalho colaborativo da ciência mundial para que as vacinas para a Covid-19 fossem produzidas em prazo recorde. Isso, apesar dos boicotes e do negacionismo promovido pelo governo atual durante a pandemia (N11), [6].

É responsabilidade dos governantes buscar a melhor assessoria científica para suas tomadas de decisão. Ela está na Academia Brasileira de Ciências

 

  • A falta de informação científica não é um problema exclusivo da população brasileira. Porém aqui se agrava pelas precárias condições de vida de grande parcela de brasileiros, o que permite tantas tragédias anunciadas, desnecessárias.

O “acidente” de Goiânia com o Césio-137 em 1987 é emblemático. Ignorância (junto com descaso) de tomadores de decisões provoca tragédias ainda maiores: Mariana e Brumadinho.

A divulgação científica deve ser estimulada e feita de forma sistemática. Junto com a Educação Básica, ao MCTI e à Cultura devem ser dados prioridade, entendidos como investimentos cujo retorno será garantido.

  • Ciência não é gasto, é investimento. Na área científica o Brasil já avançou o suficiente para prover recursos humanos às empresas, aqui produzindo na nova economia tecnológica. Apenas para dar três exemplos, à Embrapa se deve a soja no Centro-Oeste (foi para o bem ou para o mal?); ao ITA devemos a Embraer; à COPPE se deve a tecnologia do pré-sal.

É possível emular o que a China tem feito desde 1980, mas num modelo democrático? (N12).

Há que se observar que, historicamente, a China sempre teve uma ciência avançada. Seu ressurgimento como potência não é surpresa [7,8].

  • O que significa conseguirmos competitividade no século 21? Se um cientista social me exigisse uma definição de competitividade, eu citaria Alberto Luiz Coimbra, fundador da COPPE: “ter condições de errar por conta própria”.

Não cabe aqui a pretensão de discutir os modelos econômicos que já foram experimentados no Brasil, e a razão por que não funcionaram. Remeto ao depoimento de Mangabeira Unger à Inteligência 88 pela “estratégia rebelde de desenvolvimento” para a qual a educação pública de qualidade é indispensável.

Algumas questões concretas da educação, pública e privada

Os professores, que são os que estão na linha de frente, precisam ser consultados na elaboração dos programas de campanha. As escolas privadas não são o foco deste artigo, apenas já se pode constatar que a formação de grandes conglomerados de educação tende a aumentar o mercantilismo e a “uberização” dos professores, que passam a meramente transmitir materiais prontos.

  • Escolas públicas podem ser melhores do que as melhores particulares. O debate eleitoral é a melhor ocasião para difundir as ideias de Anísio Teixeira. Sua práxis coincidia com John Dewey, filósofo que organizou a educação pública nos EUA (N13).

Não surpreenderia Anísio que análises do relatório do PISA 2015/OECD com foco em Ciências, mostrem que as escolas públicas federais tiveram desempenho superior ao das melhores escolas privadas (N14).

  • Implantação do BNCC. Como mencionamos, há perigo de que, nas escolas públicas, o BNCC possa, por exemplo, acabar liberando o governo da responsabilidade de prover disciplinas que se tornaram eletivas, mas deveriam permanecer como opção.

Todo professor, seja em escolas públicas ou particulares, deve estar em tempo integral em uma única escola, com salário digno, condições de trabalho e com oportunidades (e obrigação) de aperfeiçoamento contínuo.

  • Repensando o nosso sistema educacional e formação de professores. Como já nos dizia Machado no “Conto de Escola” (na sua forma sempre sagaz), “nosso ensino ensina o aluno a não fazer perguntas”. Richard Feynman (prêmio Nobel de Física, grande fã do Brasil e do carnaval carioca) deu aulas para licenciandos da antiga FNFi nos anos 1950. Descobriu que, apesar de decorarem as definições, os licenciandos não entendiam o que elas significavam (N15). Em anos recentes, com o apoio das universidades, algo melhorou nas escolas públicas federais.

Recursos e incentivos às universidades públicas para a iniciação científica júnior.

  • Livros didáticos. É um assunto que merece sua própria CPI. Um dos meus prazeres de adolescente era ir de bonde ao Centro para comprar livros do IBGE (que naquela época “da pedra lascada” ficava num prédio na Avenida Calógeras) e na livraria do MEC, no pilotis do Edifício Capanema. Hoje em dia ainda não apareceu livro melhor do que “Biologia na Escola Secundária”, de Oswaldo Frota Pessoa.
  • Ensino x Pesquisa. No período 1950-1970 houve debates intensos em relação à formação de professores e cientistas [9], terminando com Faculdades de Educação para as licenciaturas e os Departamentos com seus respectivos bacharelados.

As universidades públicas estão buscando a melhor forma de, ao mesmo tempo que dão boa formação pedagógica aos licenciandos, cumpram também a regra áurea: “Se ensina porque se pesquisa.” (Carlos Chagas Filho)

As universidades privadas no Brasil, em sua quase totalidade, não fazem pesquisa, salvo algumas universidades católicas, a Fundação Getulio Vargas e poucas outras. Nos EUA a pesquisa é financiada pelo governo ou por fundações privadas, as quais obtêm com isso generosa renúncia fiscal. O sistema de “grants” aos professores recompensa as universidades, o que leva a contratarem professores de bom nível. O Brasil precisa avançar nessa direção.

  • Apoio aos estudantes superdotados oriundos de famílias de baixa renda. Aqui refiro ao livro de Maria Clara Sodré [10]. De 2001 a 2014, nas parcerias feitas pela Escola de Matemática Aplicada da FGV-RJ, tive a oportunidade de ver de perto iniciativas de algumas ONGs que trabalham com crianças com altas habilidades. É com esses jovens talentos que o Brasil maltrata, (N16) que podemos ter esperança no futuro.

Esse trabalho artesanal deve ser expandido em escala.

Participação em atividades extraclasse nas escolas públicas de professores universitários (e de aposentados e voluntários, probono)

  • O ensino técnico. Já era uma proposta de Anísio Teixeira, a de se oferecer aos jovens a opção técnica com um ensino sério, principalmente nas áreas que precisam envolver conhecimentos científicos. A campanha de 2022 pode ser uma oportunidade para se conseguir consenso de todos os candidatos (Bolsonaro inclusive) neste tema: o compromisso de reforçar as escolas técnicas federais.

Faz sentido manter o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego)? Lançado por Dilma em 2011, parte dos recursos públicos era repassada para universidades privadas, oferecendo-se cursos gratuitos. Consta que colocou o programa em estado comatoso em 2015.

No início do governo Bolsonaro falou-se que seria reformulado (com um novo nome) mas ainda aparece no portal do MEC.

Passemos agora aos temas não consensuais que vão esquentar muito o debate.

  • As questões ideológicas precisam ser discutidas. Possivelmente elas reaparecerão na campanha bolsonarista (como cortina de fumaça). Devem ser enfrentadas com o poder da persuasão, mas, se necessário, por confronto. Esclarecer, com vigor, que a “Escola sem Partido” é instrumento de milícias digitais de ódio. É bom lamentar as incitações na internet, feitas no início de 2019, para que professores fossem denunciados pelos alunos – uma prática comum dos regimes totalitários.

A Frente Democrática deve considerar inaceitável que Paulo Freire seja estigmatizado, como foi na eleição passada no programa de governo de Bolsonaro. Paulo Freire é um dos maiores pensadores humanistas de inspiração religiosa católica, com imenso prestígio internacional. Trabalhou com a alfabetização de adultos. Que ameaça representava, ou continua representando?

Cientistas sociais têm constatado que muitos jovens brasileiros foram atraídos pelas ideias conservadoras, inclusive aqueles que ficaram para trás na “nova classe média” prometida pelo PT. Isso é do jogo. Temos intelectuais conservadores democratas. Estes devem ser instados a repudiar o caráter anticientífico e embusteiro dos olavismos e quetais. O pensamento liberal-conservador brasileiro teve grandes humanistas como Antonio Paim, falecido recentemente, e José Guilherme Merquior cuja lucidez faz falta.

  • Escolas cívico-militares. Consta no portal do MEC: “uma iniciativa do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Defesa, que apresenta um conceito de gestão nas áreas educacional, didático-pedagógica e administrativa, com a participação do corpo docente da escola e apoio dos militares”.

Promessa da campanha de Bolsonaro, o plano é implantar 216 no país até 2023, 54 por ano. Deve ser escrutinizado pela Frente Democrática o quanto foi implementado e quais foram os resultados concretos em custo-benefício. De todo modo, por sua inspiração de caráter fascista, é um imperativo que a Frente proponha que:

 

As escolas públicas cívico-militares serão extintas, passando os recursos para a criação de novas escolas militares tradicionais.

 

Não há dúvida que o apoio dos militares para a escola pública é indispensável, protegendo as crianças e seus pais das balas perdidas (N16). Colocar um filho num Colégio Militar é o maior sonho de muitos pais e mães de família de média e baixa rendas. É a oportunidade de uma educação pública de qualidade, com opção de ingressar nas FFAA, que precisam recrutar mais jovens bem formados.

  • Educação sexual (N17). Numa sociedade ainda muito conservadora como é a nossa, a discussão vinha sendo bem conduzida em governos anteriores, mas foi deturpada na eleição passada (“kit-gay”).

A “ideologia de gênero” tem uma história curiosa. A expressão foi cunhada pela ala mais conservadora da Igreja Católica (que tem seus próprios problemas com pedofilia) e foi apropriada por alguns grupos evangélicos, não todos. No mundo acadêmico, o conceito inexiste. Proibir a educação sexual é uma hipocrisia e contraria os artigos 131 e 132 do Código Penal.

A escola pública atuará para diminuir a gravidez precoce e o contágio por doenças do contato sexual.

  • A escola, a religião e o racismo estrutural. A maior demanda dos ex-escravos, assim que decretada a abolição, foi a escolarização dos filhos (N18). Para qualquer observador internacional, (como uma ministra de Educação da Finlândia, que aqui esteve faz alguns anos), choca fortemente o apartheid socioeconômico no sistema escolar brasileiro – e que inclui principalmente a cor de pele. Brasil, EUA e os países caribenhos tiveram um largo período de escravidão em comum, cujos efeitos infelizmente são de cauda longa. O Movimento Negro no Brasil não pode mais ser reprimido. Medidas concretas deveriam ser tomadas imediatamente nas educações pública e privada para enfrentar o nosso mais grave problema histórico como nação.

A história comparada da escravidão constará dos currículos escolares.

Um “mérito” do movimento bolsonarista [11] foi o de tornar mais explícito o nosso racismo − que sempre existiu, como revela “A Banca do Distinto”, de Billy Blanco − e a nossa homofobia. Não creio ser justo associá-los a algumas das novas vertentes religiosas que surgiram no Brasil [12].

A escola pública será laica, mas ao mesmo tempo promoverá o estudo e o respeito a todas as religiões da humanidade.

Cotas e outras políticas de inserção. Iniciadas pela UERJ em 2003, as cotas foram sancionadas pela Lei 12.711/2012. Os resultados são inequívocos [13], mas as cotas continuam a ser questionadas. É um avanço irreversível, assim como a Lei 12.990/2014, que reserva aos negros 20% (o que ainda é pouco) das vagas oferecidas em concursos públicos. As nossas FFAA, seguindo o bom exemplo dado pelos EUA, devem acelerar a inclusão de negros e pardos nos postos de maior patente (N20) [14].

Nosso destino manifesto

Existe ainda o mito, atribuído injustamente a Gilberto Freyre, de que somos uma “democracia racial”. Apregoado no regime militar, precisamos torná-lo realidade.

Tornar-nos ainda no século 21 exemplo para o mundo de uma sociedade mais equalitária e multicultural.

Vamos, nesta eleição, escolher pelo “subdesenvolvimento que não se improvisa” ou procurar um consenso para darmos condições a todos os nossos jovens para termos competitividade na Ciência, na Cultura, nas Artes e no Esporte?

Precisamos apressar o tempo histórico. Apenas cem anos depois da Revolução de 1789 a educação na França se tornou “livre, laica e obrigatória”, a partir das leis de Jules Ferry da Terceira República [15, 16]. Crianças talentosas de famílias pobres, em qualquer lugarejo eram encaminhadas por seus professores para terem uma educação diferenciada. A emocionada carta de Albert Camus ao seu primeiro professor, Monsieur Louis Germain, escrita assim que recebeu o Nobel da Literatura, e a resposta do seu instituteur podem ser facilmente encontradas na internet.

Nossa democracia inacabada [17] provém da educação impedida na nossa democracia impedida [18]. Que nos tornemos a República dos nossos instituteurs!

“Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública” (Anísio Teixeira)

Dedicatória: À memória do Professor Wanderley Guilherme dos Santos, que tive o privilégio de conhecer quando estava preparando seu curso no IESP sobre o século 21.

Epílogo: Por uma Frente Ampla em 2022

Os cientistas sociais estão estudando o que aconteceu na sociedade brasileira para ter gerado um caldo de apoio a Bolsonaro. Acreditam que seria insuficiente para sua reeleição, pois muitos eleitores votaram nele por rejeição ao PT. Muitos desses eleitores estão agora arrependidos, temem um autogolpe e procuram a terceira via.

Atemo-nos apenas às ações de governo (esqueçamos, mas é difícil, as palavras de Bolsonaro). Nos ministérios, salvam-se talvez Bento e Tarcísio, oriundos das FFAA, Tereza Cristina, representando o setor agrícola-empresarial. O novo chanceler, Carlos França, tem tentado recuperar o Itamaraty do pandemônio.

Para a resposta federal à pandemia da Covid-19, remetemos ao dossiê na Inteligência 93. A estratégia foi temerária, para não adjetivar numa forma mais correta. Uma simples regra de três mostra que no Brasil morrem quatro vezes mais do que a média mundial. Em relação ao ministro da Economia, seus pares acadêmicos na “ciência sombria” farão um julgamento melhor do que eu poderia. O mercado já o fez. Sua tarefa atual parece ser a de encontrar meios (com calotes, confiscos e alienações – inclusive do Edifício Capanema) para financiar medidas populistas como as que tanto foram criticadas quando praticadas pelo PT.

No que se refere à Ciência, Tecnologia e Inovação, que é o meu setor, posso advertir com toda certeza: mais um mandato, e as instituições científicas perderão a capacidade e a respeitabilidade a que chegaram setenta anos após a criação da CAPES e do CNPq. A fuga para o exterior de jovens talentosos já vem acontecendo.

Somente na Cultura o governo foi eficiente em sua proposta: é tratada a revólver.

Na Educação, tema deste artigo: os dois ministros iniciais foram diretamente hostis ao professorado. O terceiro durou um dia. Temos agora um da cota evangélica, que disse recentemente que alunos com deficiência atrapalham, e que a universidade deveria ser para poucos. Depois desdisse. Abulia, aqui, é um mérito.

Aos que votaram no PT em 2018 por primeira escolha, ponderem-se neste momento difícil do Brasil. O fundamental é evitar a quebra das regras e dos valores democráticos. Existe rejeição ao PT, seja justa ou não. Mesmo admitindo a valor de face, como é alegado, que não foi o primeiro nem o mais beneficiado com a corrupção sistêmica, há convicção generalizada de que o PT foi (no mínimo) leniente.

Credite-se aos governos do PT resultados sociais importantes, como apontamos no artigo com alguns dados estatísticos. Porém deve-se pontuar que em certa medida puderam ser financiados, nos governos de Lula, por bons preços das commodities. Por um lado, está evidente que Dilma sofreu um golpe jurídico-parlamentar, mas neste momento Lula poderá concorrer para 2022, pois o STF decidiu que as condenações tiveram graves falhas processuais (como muitos juristas nacionais e internacionais independentes apontavam). As pesquisas o apontam como favorito.

É previsível, por outro lado, que condições para governabilidade envolveriam concessões ao Centrão e à Faria Lima ainda maiores do que foram antes. Também não é claro se as FFAA (poder moderador de fato, mas não de direito) aceitariam a volta do PT ao poder. Inclusive por corporativismo: são seis mil militares no governo, e muitos não ficariam nada felizes em serem trocados por sindicalistas.

Nosso professor Wanderley cantou essa pedra em 1962. Desta vez, é mais complicado: contariam apenas com empresários muito retrógados. Teriam de se livrar também de Bolsonaro e de seus filhos quando, possivelmente, precisariam enfrentar as polícias militares estaduais. Por essa razão, talvez Bolsonaro esteja blefando. Ele sabe que numa intervenção das FFAA institucionais suas milícias seriam desbaratadas.

Mesmo assim, tendo me filiado ao PT quando foi criado (como muitos professores universitários na época), votaria em alguém de uma Frente Ampla pela Democracia em condições de promover uma união nacional incluindo as FFAA institucionais.

Porque precisamos de um governo capaz de recuperar as importantes instituições públicas que foram tão duramente prejudicadas pelo atual governo.

Agradeço a Ruben Klein pelo levantamento das estatísticas e pelas informações valiosas.

 

O autor foi professor do Instituto de Matemática da UFRJ e professor da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas.

jairkoiller@gmail.com

 

BIBLIOGRAFIA

[1] Uma aula magna: Derradeiros ensinamentos do professor Wanderley Guilherme dos Santos. Apresentação de Paulo Henrique Cassimiro. Inteligência 87, 2019. Ver também: Christian Lynch e Paulo Henrique Cassimiro, Wanderley Guilherme dos Santos: modelo de intelectual público, Nexo, 29/10/2019. Disponível em https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2019/10/29/Wanderley-Guilherme-dos-Santos-modelo-de-intelectual-público .

[2] Thomas Piketty, Capital et idéologie, Paris: Seuil, 2019.

[3] Fernando de Azevedo [et al.], Manifestos dos pioneiros da Educação Nova (1932) e dos educadores (1959), Fundação Joaquim Nabuco, Recife: Massangana, 2010.

[4] Renato Janine Ribero, A Pátria Educadora em Colapso, São Paulo: Três Estrelas, 2018.

[5] Roberto DaMatta, Você sabe com quem está falando?: estudos sobre o autoritarismo brasileiro, Rio de Janeiro: Rocco, 2020.

[6] Ligia Bahia [et al.] A tragédia brasileira do coronavírus; Luiza Moares e Erik Dauzacher, Política comparada na pandemia, Inteligência 93, Abril a Junho 2021.

[7] Joseph Needham, Science and Civilisation in China, Cambridge University Press, 1956.

[8] Simon Winchester, The man who loved China, Harper Perennial (2009).

[9] Macioniro Celeste Filho, A Reforma Universitária e a criação das Faculdades de Educação, Revista Brasileira de História da Educação 7, 161-188, 2004.

[10] Maria Clara Sodré Salgado Gama, Educação dos Superdotados, São Paulo: EPU, 2006.

[11] Idelber Avelar, Eles em nós: Retórica e antagonismo político no Brasil do século XXI, Rio de Janeiro: ‎ Record, 2021.

[12] José Luis Pérez Guadalupe e Brenda Carranza (orgs.), Novo ativismo político no Brasil : os evangélicos do século XXI, Rio de Janeiro: Konrad Adenauer Stiftung, 2020.

[13] Renato Renato Schwambach Vieira, Mary Paula Arends-Kuenning, Affirmative Action in Brazilian Universities: Effects on the Enrollment of Targeted Groups, Economics of Education Review 73, 2019, 101931.

[14] Leandro Luiz Mikaloski Penedo, Representatividade racial nos espaços decisórios da Força Aérea Brasileira, Escola Nacional de Administração Pública, 2020.

[15] Maurice Dommanget, Jean Jaurès, coll. “Les Grands Éducateurs socialistes”, Paris: éditions S.U.D.E.L., 1954.

[16] Jacques e Mona Ozouf, La République des instituteurs, Paris: Gallimard, Le Seuil, 1992.

[17] Jefferson Nascimento, Maitê Gauto, Katia Maia (orgs.) Democracia inacabada: um retrato das desigualdades brasileiras, Oxfam, 2021.

[18] Wanderley Guilherme Dos Santos, A democracia impedida: o Brasil no século XXI, Rio de Janeiro: Editora FGV, 2017. [Resenha: André Luiz de Carvalho Matheus, Rev. Direito e Práx. 9:2, 1151-1157, 2018. DOI:10.1590/2179-8966/2018/33473].

 

NOTAS DE RODAPÉ

1) https://todospelaeducacao.org.br/. O autor é apenas um seguidor do site, não tendo vínculo com a equipe.

2) O manifesto de 4/8/2021 (https://www.eleicaoserespeita.org/), liderado por nomes de peso do empresariado, lideranças religiosas, da intelectualidade, incluindo ex-ministros de Estado, diz: “Nossos mais de 200 milhões de habitantes têm sonhos, aspirações e capacidades para transformar nossa sociedade e construir um futuro mais próspero e justo. Esse futuro só será possível com base na estabilidade democrática. O princípio chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos”.

Uma pesquisa qualitativa nacional, em junho de 2021, realizada por Carolina de Paula, [et al], indica que a fidelização a Bolsonaro é de 30%. https://iree.org.br/wp-content/uploads/2021/08/BOLSONARISMO_NO_BRASIL.pdf

3) Os dados estatísticos deste trabalho foram preparados por Rubem Klein e apresentados na comunicação The effort for egalitarian rights on education in Brazil: a statistician’s look, no 61st World Statistics Congress − ISI2017.

4) Talvez tenha sido prematuro alguns economistas terem falado, na época, que estava surgindo uma “nova classe média”. No Brasil, o quarto quartil começa na linha de pobreza em países desenvolvidos.

5) Ver http://www.consed.org.br/consed/implementacao-da-bncc-nos-estados e recomendamos https://movimentopelabase.org.br/ .

6) A esse respeito, é útil ler alguns artigos e comentários de Pedro Demo, sociólogo que presidiu o INEP em 1984-1985. É crítico mordaz do nosso sistema de ensino, que chama de “desaprendizagem”.

https://www.noticias.unb.br/artigos-main/3741-brasil-no-pisa-2018

7) Como o Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV/RJ, liderado por Claudia Costin (https://ceipe.fgv.br/)

8) Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT)  https://www.profmat-sbm.org.br/

9) MemoCAp: uma história social do Colégio de Aplicação da UFRJ (CAp-UFRJ). Agradeço aos colegas pelo muito que tenho aprendido nesse projeto coletivo. Ver uma apresentação de um painel temático no Festival de Conhecimento da UFRJ/2021 https://www.youtube.com/watch?v=bqPCsMJraFM

10) PISA (International Student Assessment, https://www.oecd.org/pisa/) é um programa da OCDE, que mede a capacidade de jovens de 15 anos de usar seus conhecimentos e habilidades de leitura, matemática e ciências para enfrentar os desafios da vida real. É realizado a cada três anos. No ano de 2015 o foco foi em ciências, em 2018 as habilidades de leitura e compreensão no mundo digital, e em 2022 o foco será em matemática e pensamento criativo.

11) A CPI da Covid provavelmente concluirá no seu relatório que a estratégia federal para a pandemia foi desde o início a de insistir na imunidade de rebanho. Outros países logo constataram que isso seria inatingível sem uma catástrofe humanitária. O grupo de matemáticos do qual participo concluiu que, com as novas variantes, mesmo uma vacinação de 100% não produzirá a “herd immunity”. Sobre isso gostaria de escrever um artigo divulgatório.

12) Um artigo interessante de Piketty publicado recentemente no Le Monde: https://www.lemonde.fr/blog/piketty/2021/07/13/repondre-au-defi-chinois-par-le-socialisme-democratique/

A partir de 1980 a China iniciou seu ciclo virtuoso na economia. O interesse histórico da China pela ciência e tecnologia foi documentado por Joseph Needham, (https://en.wikipedia.org/wiki/Science_and_Civilisation_in_China). Recomendamos sua biografia por Simon Winchester (http://www.simonwinchester.com/china) [7,8].

13) A trajetória de Anísio reflete todos os embates políticos do Brasil. Perseguido pela Igreja Católica nos anos 1930, apenas a partir do segundo governo Vargas pôde começar a atuar como o organizador da educação pública no Brasil. Tido por alguns setores militares como comunista, foi encontrado morto no poço de um elevador em março de 1971 (http://www.bvanisioteixeira.ufba.br/)

14) Ana Ligia Scachetti, Raissa Pascoal, Anna Rachel Ferreira, Resultados PISA/2015 https://novaescola.org.br/conteudo/3393/resultado-pisa-2015-ciencias-leitura-matematica ; https://pensaraeducacao.com.br/pensaraeducacaoempauta/pisa-2015-exclusivo/. Sobre a possível “uberização” no ensino privado, veja-se por exemplo https://www.extraclasse.org.br/educacao/2020/01/contratacao-uberizada-de-professores-por-aplicativo-ja-e-realidade/ .

15) O relato está em “Surely You’re Joking, Mr. Feynman” (págs. 211-219, W. W. Norton & Co., 1997). Uma tradução se encontra aqui: https://academiafmb.com.br/2019/05/26/surely-youre-joking-as-impressoes-de-richard-feynman-sobre-a-educacao-em-ciencia-no-brasil-babel-fish-2/. A Revista Brasileira de Ensino de Física, da SBF, fez um dossiê especial sobre Feynman: http://www.sbfisica.org.br/v1/home/index.php/pt/destaque-em-fisica/764-rbef-traz-edicao-com-14-artigos-em-homenagem-a-richard-feynman

16) Maria Clara Sodré tem tese de doutorado sobre crianças superdotadas no Teachers College, Columbia University (onde Anísio Teixeira também estudou). Numa das ONGs que Maria Clara criou, quando passei o filme “O Homem Que Viu o Infinito”, sobre o matemático Ramanujan, ouvi de um pré-adolescente da comunidade da Maré: “Ele era pobre, mas ele não precisava ter medo de morrer por bala perdida”. Em tempo: depois me perguntaram sobre um problema da teoria dos números que aparece no filme − o padrão das partições em somas de números inteiros. Entenderam na hora do que se tratava (e apreciaram).

17) https://todospelaeducacao.org.br/noticias/para-que-serve-a-educacao-sexual-na-escola/

18) Renato Colistete, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, encontrou diversas petições de ex-escravos. Em vários trabalhos tem feito levantamentos sobre o atraso educacional no Brasil, focando em São Paulo, supostamente o estado mais avançado. Disponíveis em https://renatocolistete.blog/category/educacao/

19) Embora setores influentes da Igreja Católica se opuseram às reformas educacionais brasileiras nos anos 1930, e na América Latina a Igreja perdeu um grande número de almas depois do pontificado de João XXIII, o agora o Papa Francisco está reagindo para recuperá-las. Francisco está propondo uma economia socialmente justa, viável e ambientalmente sustentável (. Será que ele é comunista? https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-11/economia-francisco-proposta-jovens-assis.html

20) https://infograficos.oglobo.globo.com/politica/retratos-da-desigualdade-nas-forcas-armadas.html. https://oglobo.globo.com/politica/sem-politica-de-inclusao-elite-das-forcas-armadas-nao-tem-diversidade-25009900

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