Lápides da vergonha

Lápides da vergonha

Alvaro Costa e Silva, Jornalista

 

Nos portões de ferro permanentemente fechados com cadeado e correntes, as estrelas de Davi estão pintadas com grossa camada de esmalte cinza. Os muros – não tão altos; mas já foram menores. Vê-se a emenda na construção – estão recém-caiados de branco. Fica quase na esquina das ruas José dos Reis e Piragibe, numa elevação, fundeado pelo maior e mais populoso Cemitério de Inhaúma e ladeado pela Favela do Rato Molhado, atualmente sob o comando das ditas milícias. Naquele meio-dia de novembro – uma chuva miúda alivia o calor, que chega a ser insuportável nessa época – o Cemitério Israelita de Inhaúma está mergulhado em solidão.

Para entrar, é preciso bater na casa ao lado, onde mora e trabalha o capoteiro Luciano de Mendonça. Como zelador contratado pela Sociedade Cemitério Comunal Israelita, que administra os cemitérios judaicos do Rio de Janeiro, ele guarda as chaves. E cuida bem do lugar (ou do que restou dele): a maior preocupação é com o mato daninho, chamado de capim-navalha que, se não tratado periodicamente, cresce com rapidez, insinuando-se pelas rachaduras das sepulturas até encobri-las. Apenas duas jovens mangueiras oferecem sombra. A geografia dos túmulos é confusa, não geométrica, o que aumenta a sensação de estranheza.

Tombado pela prefeitura em outubro de 2010, no mesmo ano o campo santo começou a ser reformado. Primeiro foi preciso identificar os túmulos, muitos dos quais estavam destruídos ou ocultos. Além de uma nova pintura, alguns receberam uma placa branca de mármore com a estrela de Davi no centro, o nome da pessoa que está sepultada, a data do óbito e o número que representa na cronologia do cemitério. “Quem viu isso aqui ontem e vê hoje, não acredita. Meu único problema atual são os meninos que pulam o muro para pegar pipa avoada”, conta Luciano.

O abandono começou em meados da década de 1970, quando o local praticamente deixou de ser visitado, mesmo no domingo entre o Rosh Hashaná (Ano Novo) e o Yom Kipur (Dia do Perdão), conforme prevê a tradição religiosa. Com o mato alto, chegaram os ratos, e em seguida as cobras. Houve denúncias de que traficantes da comunidade vizinha escalavam os muros baixos de taipa, abriam os túmulos maiores com pés-de-cabra e dentro deles escondiam drogas e armas. Um comércio informal de tendinhas surgiu próximo ao caminho de atalho aberto pelos moradores mo meio do cemitério.

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A pequena casa utilizada para a lavagem dos corpos, que ficava no limite do terreno, perto do espaço reservado para os túmulos das crianças, não resistiu e ruiu (os restos do piso de ladrilhos marroquinos ainda hoje podem ser vistos, por debaixo da terra). Parecia o fim do Cemitério Israelita de Inhaúma, construído para preservar a memória de mulheres que, em vida, foram condenadas moralmente e confinadas ao submundo.

Há mais de 95 anos, precisamente no dia 1º de outubro de 1916, ali se enterrou o primeiro corpo. Helena Goldatrin era austríaca, tinha 33 anos e deixou Eva, filha recém-nascida da mãe solteira. Apesar das instalações precárias – apenas um terreno cercado por grades –, o enterro não passou despercebido da reportagem do jornal “A Noite”, que descreve as pessoas presentes, seus trajes e costumes funerários. A matéria sem assinatura relata que a filha da morta havia sido gerada de uma “união pecadora com um soldado naval”. Prossegue a notícia: “O soldado não quis que se chamasse Eva a pequena, nome judaico, e sim que se lhe desse Iracema, nome indígena.”

Típica reportagem policial da época, de cunho sensacionalista, descreve a “festa macabra” que marcou a inauguração do campo, na qual um carneiro teria sido sacrificado, em meio ao choro e às lamentações das mulheres com xales rendados e os homens com chapéus pretos que lhes cobriam o alto da cabeça. A seguir, uma distribuição de doces, bolos, bombons e biscoitos de geleia. O texto informa que foi realizado, ao pé da cova, um leilão de cargos beneméritos da Associação Beneficente Funerária e Religiosa Israelita, cujo pagamento reverteria para a construção do cemitério.

Fundada no dia 10 de outubro de 1906, com sede e sinagoga à Rua Luís de Camões, no Centro do Rio de Janeiro, a associação tinha por objetivo principal a autoproteção e socialização de mulheres e homens que participavam do comércio e da prática da prostituição estrangeira na cidade. Aqui chegadas em sucessivas levas, basicamente da Europa Oriental – de pequenas e distantes aldeias ou de grandes cidades como Odessa, Lodz, Varsóvia –, eram as polacas, como ficaram conhecidas no imaginário popular, descritas nos textos dos cronistas mundanos, lembradas por marinheiros e farristas – mas não apenas por eles, pelos chamados homens de bem, também –, habitantes do Mangue, da Lapa e adjacências.

No dia seguinte à publicação da reportagem de “A Noite”, o jornalista David J. Perez, editor de “A Columna”, o jornal da comunidade judaica, fez publicar uma carta na qual argumentava que as prostitutas não tinham o direito de criar seu próprio cemitério, sendo essa uma exclusiva responsabilidade da Chevra Kadisha, sociedade funerária que ainda nem havia sido instalada no Rio de Janeiro. Foi por conta da sua arriscada atividade, mas principalmente para escapar ao preconceito e à rígida moral da época, que as polacas se obrigaram a ser pioneiras nesse tipo de organização de ajuda mútua. Consideradas impuras, não podiam compartilhar sinagogas nem cemitérios. Em ídiche eram chamadas de die linke – literalmente “as esquerdistas” –, mas no fundo sua condição era aviltante.

Entre os emigrantes judeus no Rio de Janeiro, a vida comunitária e religiosa iniciou-se por volta de 1910. Havia grupos de várias tendências ideológicas: a corrente tradicionalista, maioria representada pelos ortodoxos, para os quais a Torá é o espaço nacional judaico; partidários da esquerda ligados ao partido Algemeiner IdisherArbeter Bund, fundado em 1897 na Europa; os sionistas; e os assimilacionistas, que aceitavam a integração nas mais diversas sociedades.

Esses grupos se estabeleceram nos arredores da Praça Onze que, do fim do século XIX a meados da década de 1940, constituiu-se num verdadeiro bairro judeu. Note-se que no mesmo local fixaram-se os escravos libertos vindos da decadente lavoura cafeeira – a gente que mais tarde seria responsável pela formatação do samba urbano carioca –, além de outros imigrantes estrangeiros, sobretudo portugueses, italianos, espanhóis e árabes. A massa de trabalhadores logo atraiu as primeiras prostitutas: sabe-se que desde 1860 já havia bordéis em pleno funcionamento entre a Avenida Gomes Freire e o Mangue. Era mais um elemento – nada desprezível – desse intenso caldo cultural.

No período entre as guerras o fluxo migratório intensificou-se. De 1925 a 1935 vieram para o Brasil mais de 30 mil israelitas da Europa Oriental, sendo que mais da metade deles estabeleceram-se no Rio. De preferência no bairro judeu-carioca, ou seja, as ruas em torno da Praça Onze: Santana, Visconde de Itaúna, Senador Eusébio, Marquês de Pombal, Benedito Hipólito, Júlio do Carmo, General Caldwell, Marquês de Sapucaí, entre as principais.

A venda de porta em porta – klienteltshik, em ídiche – era o ofício de eleição. Negociavam-se, preferencialmente nos subúrbios, produtos de armarinho, tecidos, artigos de cama, mesa e banho, roupas prontas, móveis. Além de joias. As vendas eram feitas a prestação. Os maus pagadores eram chamados de tzvekes (pregos), sendo logo identificados e marcados no caderninho.

Nas imediações da Praça Onze funcionou enorme quantidade de casas de lazer popular: cafés, bares, cervejarias, boliches, salões de sinuca (mais de 20) e gafieiras onde se dançava o maxixe, ritmo mais combatido no passado do que o funk hoje. A mais lendária delas, Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, inspirou uma novela produzida em 1989 pela extinta TV Manchete. A ideia partiu do dono da emissora, Adolpho Bloch, imigrante nascido na Ucrânia que era frequentador do lugar.

Com donativos recolhidos na comunidade, foi inaugurado em 1932 o Grande Templo Israelita do Rio de Janeiro, na Rua Tenente Possolo, que – segundo relata a pesquisadora Fania Fridman no livro “Paisagem estrangeira: memórias de um bairro judeu no Rio de Janeiro”, publicado em 2007 – se tornou o grande polo de convergência dos membros da colônia. Menos mal que fosse assim porque, 10 anos depois, a Praça Onze seria engolida para a construção da Avenida Presidente Vargas. As demolições desalojaram centenas de famílias e derrubaram 525 prédios. O berço das escolas de samba e o bairro judeu desapareceram.

O bota-abaixo atingiu o comércio carnal, em ambas as modalidades – “de calçada” ou “de janela” – que estavam presentes na área desde o século XIX. A chegada de prostitutas de origem judaica passou a chamar a atenção no final da década de 1860. O fluxo foi ampliado a partir de 1914, com a guerra na Europa. A atuação delas se concentrava nas ruas próximas ao Mangue, zona do baixo meretrício ou “zona do agrião”, segundo o jargão policial da época, que se estendia da Rua Souza Neves às ruas Benedito Hipólito, Pinto de Azevedo, Dois de Julho e pequenas transversais sem circulação de bondes.

Os relatos de época – e a posterior publicação de inúmeras obras de ficção, romances, peças teatrais, filmes – reforçam a condição de vítima das polacas: meninas enganadas que foram obrigadas a se prostituir numa terra estranha, ameaçadas por homens violentos e sem escrúpulos, muitos dos quais seus maridos legítimos ou unidos em casamentos apenas no religioso, que só as queriam enquanto sinônimo de dinheiro. Dali só para a miséria e a doença, ou a morte violenta (em caso de rebeldia). Isso é certo, mas nem tanto.

Embora quase todas as histórias de vida tenham semelhanças quanto à origem, algumas polacas tiveram trajetórias diversas: ficaram solteiras ou viúvas; algumas conseguiram sair da prostituição, tornando-se respeitáveis donas de casa ou empresárias; outras viraram aliciadoras ou cafetinas. O mais significativo é que – como demonstra a historiadora Beatriz Kushnir no livro “Baile de máscaras: mulheres judias e a prostituição” – elas conseguiram manter intacta a herança cultural que trouxeram na bagagem, cujo símbolo maior é o Cemitério de Inhaúma. A partir dele, sustentaram sua dignidade que, de maneira cruel e paradoxal, lhe era negada pela comunidade judaica, ela própria também marginalizada.

A mais influente organização de cafetões judeus chamava-se Zvi Midgal. O nome homenageia um dos benfeitores, Luis Midgal, e significa “grande força” na tradução do ídiche. Carrega tal mística que, pronunciado ainda hoje, faz tremer os mais antigos que dele, provavelmente, só ouviram falar. No livro “La organización negra: la increíble historia de la Zwi Midgal”, o jornalista argentino Gerardo Bra apresenta a sociedade com dois fins básicos: oferecer benefícios sociais e apoio religioso, que eram negados aos rufiões e meretrizes, e encobrir e incrementar as atividades de seus componentes.

A Zvi Midgal derivava de outro grupo, a Sociedade de Ajuda Mútua Varsóvia, criada em maio de 1906, em Buenos Aires, cidade que entre os anos 1880 e 1930 ficou conhecida como o maior centro mundial de tráfico de mulheres e comércio da prostituição. A rota de chegada era o bairro de La Boca (ligado ao tango como a Praça Onze ao samba). Dali o trajeto, em seu braço ocidental, incluía Marselha, Barcelona, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo; no oriental, passava por Constantinopla com destino a Shangai.

A organização foi duramente perseguida na Argentina, até ser desmontada, na esteira do golpe militar liderado pelo general José Félix Uriburu, em 1930. Alguns cafetões da máfia teriam fugido para o Brasil. O delegado Frota Aguiar, responsável pelas áreas do Mangue e da Lapa nos anos 30, prendeu e processou ao menos dois deles, Mauricio Steinberg e Adolfo Fisch. Outro preso, Serico Nicodemos, tinha tatuado no peito rostos de mulheres, marcas de suas “propriedades”. Um caso rumoroso da crônica policial de 1937, a morte da prostituta Marie Yvone Courtanger, a Pierrot, foi investigado como um ato de vingança da Zwi Midgal.

Paulo Barreto, o João do Rio, no clássico livro de reportagens “As religiões do Rio”, de 1904, descreve “os judeus ricos, a colônia densa dos judeus armênios e a parte exótica; a gente ambígua, os centros onde o lenocínio, mulheres da vida e cáftens crescem e aumentam”.  Antes de João do Rio, outro jornalista debruçara-se sobre o assunto, muito mais detalhadamente, em artigos publicados no periódico “O Paiz”, mais tarde enfeixados no livro “O lupanar” que, ao ser lançado em 1896, causou escândalo. A obra de Francisco Ferreira da Rosa, depois de décadas fora de circulação, reapareceu em 2009, em edição caseira de 100 exemplares, organizada pelo neto do escritor, Carlos Ferreira da Rosa, e doada para bibliotecas e centros de referência.

Escrito em tom moralizante mas contendo informações preciosas, “O lupanar” – cujo subtítulo é “Estudo sobre o cafetismo e a prostituição no Rio de Janeiro” – serviu de fonte de consulta primária para livros que se dedicaram a teorizar ou ficcionalizar o universo da “Babilônia desconhecida”, para usar a definição de Ferreira da Rosa. O mais conhecido deles, o romance “Jovens polacas: da miséria na Europa à prostituição no Brasil”, da historiadora Esther Largman – lançado em 1993, reeditado em 2007 – foi adaptado para o teatro e teve os direitos comprados para o cinema.

No prefácio a “Jovens polacas”, o romancista Moacyr Scliar relembra que, em seus tempos de médico recém-formado, tratou uma mulher idosa e demente que, deitada no leito do hospital, insinuava-se para ele. Mais tarde descobriu que a paciente era uma antiga prostituta que, dizia-se, havia sido trazida da Europa pela Zwi Midgal. O escritor aproveitou o episódio na novela “O ciclo das águas”, de 1977. “A história precisa ser contada. Não há outra coisa a fazer com os espectros (como Freud bem mostrou) a não ser exorcizá-los”, escreve Scliar.

A jornalista canadense Isabel Vincent compôs em livro a extensa reportagem “Bertha, Sophia e Rachel: a Sociedade da Verdade e o tráfico das polacas nas Américas”, traduzido entre nós em 2006.  Em 2010, as cineastas Verena Kael e Matilde Teles concluíram o documentário “Aquelas mulheres…”, que percorreu com sucesso o circuito dos festivais. Recentemente o romance “Traduzindo Hannah”, de Ronaldo Wrobel, tangencia a questão, que foi levada aos palcos no espetáculo “Polacas: flores do lodo” – idealização da atriz Luciana Mitkiewicz; texto e direção de João das Neves – abordando a disputa entre as prostitutas negras da Praça Onze e as adventícias do Leste Europeu.

O poeta Alexei Bueno no soneto, à la Petrarca, “Cemitério de polacas” pôs o dedo na ferida: “Nos beliches sobre o oceano,/ Nas camas de Lapa ou Mangue/ Fizeram-se, corpo e sangue,/ Algo horizontal e plano./ Sob o lustre, ao som do piano,/ Quanto gesto ousado ou langue,/ Que mudo medo da gangue/ Que as trouxe, que asco inumano./ Mas ei-las, ainda deitadas/ Nos seus leitos de cimento,/Seus barcos sem amuradas./ Doadoras do esquecimento,/ Ei-las na paz olvidadas/ De todos, menos do vento.”

Dois meses após a inauguração do Cemitério Israelita de Inhaúma, o número de pessoas enterradas subiu para quatro. O livro de registros de óbitos da Associação Beneficente Funerária e Religiosa Israelita fornece um total de 797 lápides, sendo que 790 foram encontradas na época da reforma de 2010. Mais de 80% são de mulheres. Um dos casos mais exemplares é o de Esther Waisman, justamente a quarta a ser enterrada, em dezembro de 1916. Polonesa, viveu 73 anos. Imaginando-se que ela tenha chegado ao Brasil com 20 anos, em 1863, datam daí também as primeiras referências às polacas. Considerada a última da estirpe, Rebecca Freddman, a dona Becca, morreu em 1984.

Pelo livro de registros, verifica-se que a média de vida das polacas alcançava entre 30 e 40 anos. A partir das décadas de 1940 e 1950 o fluxo de chegada de garotas diminui, pela dificuldade de se atravessar o Atlântico durante a guerra, e também devido à repressão que fechou a zona do Mangue e a Rua Conde Laje, na Lapa, comandada pelo temido Alcides Etchegoyen, que substituíra Filinto Muller como chefe de polícia no distrito federal. A era das polacas chegava ao fim.

Ruínas restauradas dessa história, Inhaúma é o retrato presente de um irônico passado de preconceito social, rejeição, aspereza de vida e, por fim, a rudeza da morte, quando uma das comunidades mais perseguidas lhes negou uma morada final mais digna. Símbolo da vergonha de um povo diante das polacas, hoje o cemitério recebe poucos visitantes – um ou outro pesquisador, um raro grupo de turistas americanos, curiosos em geral. O zelador Luciano de Mendonça não esquece a última vez em que abriu os portões para Moreira da Silva.  O cantor e compositor, conhecido pela interpretação de sambas de breque com a persona de Kid Morengueira, viveu durante quase 20 anos um romance clandestino com a judia russa Estera Gladkowicer. Quando conheceu Moreira, no fim dos anos 1930, ela já não precisava vender o corpo: era dona de um bordel no Mangue e vivia num quarto e sala da Rua do Senado.

O sepultamento de Estera – que morreu por ingestão de barbitúricos em 1968 – foi um dos últimos realizados em Inhaúma. Na lápide lê-se a inscrição “Eternas saudades do seu esposo Moreira”. Não foi a única homenagem: a letra do samba “Judia rara”, composto em parceria com Jorge Faraj, diz que “A rosa não se compara/ A essa judia rara/ Criada no meu país/ Rosa de amor sem espinhos/ Diz que são meus seus carinhos/ E eu sou um homem feliz”. Na gravação de 1962 ouve-se uma frase em ídiche: “Ich bin meshugene fur dir (sou louco por você).” As visitas costumeiras do compositor ao cemitério, até a sua morte no ano de 2000, comprovam que ele dizia a verdade.

 

alvaro.marechal@gmail.com

 

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