O deus brasileiro e seus colegas do Velho Mundo: uma viagem intelectual

O deus brasileiro e seus colegas do Velho Mundo: uma viagem intelectual

Gustavo Maia Gomes, economista

 

Os índios brasileiros tinham uma divindade – Tupã, o trovão –, porém, o padre Manoel da Nóbrega achou que eles não tinham nenhuma, pois, que absurdo, trovão não é deus. Por outro lado, o jesuíta punha muita fé nos santos óleos.

“E não há óleos para ungir, nem para batizar”, reclama ele, em carta enviada do Brasil ao seu superior em Lisboa. “Faça Vossa Reverendíssima vir no primeiro navio.”

Nóbrega jamais concordaria com isto, mas qualquer pessoa sensata instada a escolher entre um deus-trovão e um inócuo óleo para ungir ou batizar ficaria, sem dúvida, com o primeiro que, pelo menos, faz um barulho enorme.

Ou seja, se a batalha entre os sacerdotes católicos e os feiticeiros tupis, travada nos primórdios da colonização, tivesse sido decidida por argumentos racionais, não tenho dúvida de que Tupã, o deus brasileiro, teria sido o vencedor.

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– Trummmmmm!!!

 

 

  1. Prólogo

 

Neste artigo, alinho fatos e argumentos sobre os deuses primitivos; discuto a questão de sua possível existência, com especial referência ao deus cristão; e exponho minha opinião acerca de onde entram, neste enredo, os sacerdotes e as respectivas instituições a que eles servem e pelas quais são servidos.

Em intervalos irregulares de dez ou 15 anos, revisito esses temas ou seus parentes próximos (e não estou sozinho, claro). Desta vez, tenho três motivos especiais para fazê-lo:

  • A recente divulgação dos resultados do censo demográfico de 2010, que confirmam o crescimento não apenas das religiões evangélicas, mas também do número de pessoas que se declaram sem religião.
  • O aparecimento, nos Estados Unidos e na Europa, do “novo ateísmo”, cujos expoentes incluem pensadores como Richard Dawkins e Christopher Hitchens.
  • A leitura do livro Filosofia, de Stephen Law.

De acordo com as mais recentes estatísticas, 8,0% da população brasileira não professavam (em 2010) nenhuma religião. Cinquenta anos atrás, o número correspondente era 0,6%. Depois da queda dos católicos (93,5% da população, em 1960; 64,6%, em 2010) e do enorme crescimento dos evangélicos (de 3,4% para 22,2%, entre os mesmos anos), o aumento dos que se declaram sem religião é a terceira mais importante tendência do posicionamento dos brasileiros em relação ao assunto, no último meio século.

O “novo ateísmo” é uma reação à crescente força política, nos Estados Unidos, do radicalismo de direita, ideologicamente amparado na religião. Ele começou com a publicação do livro de Sam Harris The End of Faith: Religion, Terror, and the Future of Reason (2004), que atribui ao islamismo a culpa pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Esse livro recebeu enorme atenção e propiciou maior visibilidade a um grupo de escritores, filósofos e cientistas críticos em relação às religiões.

O livro de Stephen Law fornece uma visão panorâmica, didática, bem escrita e muito útil da literatura especializada. Ele contém um capítulo sobre religião e crenças correlatas que pode ser usado – e o foi, no presente artigo – como roteiro para a discussão dos principais argumentos filosóficos em favor ou contra a existência de Deus (ou, mais precisamente, do deus cristão).

 

***

 

Dividi o artigo em quatro seções, a primeira das quais é este prólogo. Na segunda seção, reflito um pouco sobre a ocorrência de deuses e divindades na História; na terceira, reviso criticamente os argumentos filosóficos mais comuns que tentam provar a existência do deus cristão, ou judaico-cristão; na quarta, insiro um breve epílogo.

 

 

  1. DEUSES E SACERDOTES

 

A presença de crenças religiosas e de uma classe sacerdotal em quase todas as sociedades do passado e do presente sugere a existência de elementos inscritos na mente humana ou nas instituições sociais que levam as pessoas a acreditar no que não podem ver, tocar, cheirar ou compreender.

Freud tem uma explicação: a fantasmagoria religiosa é útil para manter o complexo de Édipo sob controle e dar vazão socialmente aceitável a impulsos neuróticos. A universalidade da religião decorre do fato de os impulsos neuróticos e o complexo de Édipo serem indissociáveis da existência humana. Tampouco Marx se surpreendeu com a ubiquidade da religião, segundo ele, um instrumento de dominação de classe – o “ópio do povo”. E todas as sociedades – da invenção da agricultura até o advento do comunismo –, teriam sido fundadas na dominação de classe. Mais recentemente, Pierre Bourdieu escreveu que as instituições religiosas são mecanismos de distribuição de uma ideologia que sustenta as relações assimétricas de poder na sociedade. Sendo a “assimetria” universal, não surpreende que a religião também o seja.

Outros pensadores, entretanto, veem as coisas de modo diferente: a longa lista das divindades constituiria uma espécie de argumento histórico em favor da existência do deus ocidental contemporâneo. Eu penso o oposto disso. O deus cristão se apresenta como um ente eterno, único, todo-poderoso, mas, ao mesmo tempo, ele é dependente dos humanos, a quem vive pedindo oferendas e reconhecimento. Com esse cacoete, se fosse eterno, teria se mostrado há mais tempo; se fosse único, não teria deixado os outros deuses reinar por tanto tempo e em tantos lugares. Mesmo hoje, o deus cristão é minoritário: sua difusão no mundo não alcança um terço da humanidade. É poderoso, sim, mas seu poder – refletido na proeminência da Europa e dos Estados Unidos – só se tornou notável nos últimos seiscentos anos e, em face da ascensão da China, pode não durar muito.

O deus cristão é apenas um entre dezenas de milhares. Podemos deixá-lo em paz, por algumas páginas.

 

Mesopotâmia

Na Mesopotâmia (4000 a.C./300 d.C. – datas aproximadas), onde se inventou a escrita e de onde, portanto, se guardam os registros detalhados mais antigos, havia cerca de duas mil divindades. Uma para cada gosto: Enlil, deus do vento e das chuvas; Shamach, deus do Sol; Ishtar, deusa da chuva, da primavera e da fertilidade; Marduque, deus protetor da cidade da Babilônia; Anu, deus do firmamento. E assim por diante. Os deuses eram responsáveis por tudo no mundo, dos rios e árvores ao fabrico de pão e objetos de cerâmica. Templos grandiosos, administrados pelos sacerdotes, erguiam-se nos centros das cidades.

Portanto, no berço da civilização ocidental, havia deuses em penca, com atribuições variadas. E sacerdotes, com seus templos grandiosos. Desde os primórdios, deuses e sacerdotes sempre andaram juntos, um grupo vivendo do outro e os dois, da capacidade de fazer o povo acreditar naquelas histórias.

 

Egito

Também havia muitos deuses no Egito antigo (3150 a.C./30 a.C.): cerca de 700, segundo uma contagem (um levantamento?). Um deles, Aton, chegou a ser proclamado único pelo faraó Amenófis IV, em 1370 a.C. Mas isso durou pouco, pois a multidão de deuses decaídos logo revidou o golpe, restaurando o politeísmo. Nesse mundo de antes e depois da proeminência de Aton, cada deus tinha uma missão especial: alguns haviam tomado parte na criação do universo; outros cuidavam da proteção aos humanos. E todos conviviam muito bem com o faraó e os sacerdotes.

Os egípcios acreditavam na vida após a morte, e essa crença era parte importante de sua religião. A quem podia pagar, recomendava-se a mumificação do corpo, de modo a garantir aos espíritos uma moradia adequada nesse período da existência. Alguns faraós levaram a ideia ao extremo, construindo pirâmides para abrigar as próprias múmias. Portanto, milênios antes de Lula inventar o Minha Casa, Minha Vida, os egípcios já praticavam um programa parecido; se lhe tivessem dado nome, quem sabe seria Minha Casa depois da Vida?

Além disso, uma tradição muito forte, a crença na divindade da realeza, sustentava que o faraó não apenas era rei, mas também deus, identificado como Hórus, filho de Ra, o deus do Sol. Devido a essa crença, o faraó tinha um poder imenso. Mas os sacerdotes também eram muito poderosos.

Deuses, nas esferas sobrenaturais; sacerdotes, na Terra. Poderosos, temidos e, nas sociedades agrícolas, geralmente, dispensados do trabalho de prover a própria subsistência.

 

Índia

Desde seus primórdios, a Índia (3300 a.C./2012 d.C.) cultuou Brahma, deus criador; Vishhnu, deus protetor; e Shiva, deus da destruição. Mas eles nunca estiveram sozinhos: o bramanismo, que evoluiu para o hinduísmo, se assenta numa mitologia complexa, cujos deuses vivem interferindo nos assuntos humanos. São 33 deuses, com funções especializadas. Alguns se ligam à casta sacerdotal, outros são guerreiros, e um terceiro grupo supervisiona as atividades econômicas. Os três principais deuses têm esposas, cada uma com sua própria esfera de atuação.

De acordo com a Encyclopedia Britannica, o bramanismo tem o nome derivado da posição proeminente de sua classe sacerdotal, os bramas, e da importância dada a Brahma, o poder supremo. Mais uma vez, a profusão de deuses, com suas funções bem delimitadas e, intermediando a história, os poderosos sacerdotes.

 

Grécia

Na Grécia antiga (6000 a.C./146 d.C.), os deuses viviam no topo do monte Olimpo. Diferenciavam-se dos homens gregos por não serem filósofos e terem o dom da imortalidade, embora, a esta altura, já tenham morrido todos.

Zeus era o deus dos deuses; Afrodite, a deusa do amor, do sexo e da beleza; Poseidon, o deus dos mares; Hades, o dos mortos, dos cemitérios e do mundo subterrâneo; Hera, a deusa dos casamentos e da maternidade; Apolo, o deus da luz e das obras de artes; Artêmis, a deusa da caça e da vida selvagem; Ares, a da guerra; Atena, a da sabedoria; Cronos, o deus da agricultura e do tempo; Hermes, mensageiro dos deuses, representava o comércio e as comunicações, enquanto Hefesto lidava com o fogo e o trabalho. Adônis era um modelo de beleza masculina. Urano personificava o céu. Todos são protagonistas de histórias eletrizantes.

Afrodite, por exemplo, nasceu da espuma que se formou quando Cronos cortou os órgãos genitais de Urano e os lançou ao mar. Como ela era tão bonita a ponto de os outros deuses temerem que causasse ciúmes generalizados e destruísse a paz, Zeus promoveu seu casamento com Hefesto. Esse deus lidava com fogo, mas logo descobriu que com o de Afrodite nem ele podia. Insaciável, ela experimentou amores mil, tanto com deuses, como Ares, quanto com pessoas humanas, como Anquises. Teve filhos de variados pais: Hermafrodito, de Hermes; Eros e Anteros, de Ares; Himineu, de Apolo; Príapo, de Dionísio. Num enredo tipicamente grego, foi amante e mãe adotiva de Adônis.

Além de seus personagens estarem sempre envoltos (envolvidos) em histórias fantásticas, a religião grega antiga tinha outras peculiaridades. Não havia uma classe separada de sacerdotes porque, segundo uma fonte, “as esferas religiosa e secular não eram claramente separadas”. Até nisso os gregos foram originais.

 

Roma

Em Roma (753 a.C./476 d.C.), os deuses haviam sido importados da Grécia. Mas receberam outros nomes: Júpiter era o rei de todos os deuses, representante do dia; Apolo, o deus do Sol e patrono da verdade; Vênus, deusa do amor e da beleza; Marte, deus da guerra; Minerva, deusa da sabedoria e do conhecimento; Plutão, deus dos mortos, do mundo subterrâneo; Netuno, o dos mares e oceanos; Juno, rainha dos deuses; Baco, deus do vinho e das festas; Febo, deus da luz do Sol, da poesia, da música e da beleza masculina; Diana, deusa da caça, castidade, animais selvagens e luz; Ceres, da colheita e da agricultura; Cupido, deus do amor; Mercúrio, mensageiro dos deuses, protetor dos comerciantes; Vulcano, deus dos metais e do fogo; Saturno, deus do tempo; Psique, deusa da alma.

No mundo romano, havia sacerdotes, mas não como uma classe separada, pois o império estatizou a religião. A mais alta autoridade política em uma comunidade oficiava os cultos e sacrifícios. Nas cerimônias privadas, o patriarca atuava como sacerdote, mas os cultos públicos eram oficiados por sacerdotes ligados ao Estado.

Para a classe governante, a estatização da religião trouxe vantagens. Um dirigente podia se beneficiar duplamente, sendo remunerado tanto por controlar os meios de administração da violência quanto por convencer o público de que mantinha uma relação especial com os deuses.

 

China

Na China, desde tempos imemoriais, tem havido centenas de deuses, deusas, semideuses e semideusas. Uma relação menciona Pangu, o deus criador; Fuxi, patriarca divino que ensinou os homens a escrever, pescar e caçar; Nuwa, deusa-mãe antiga, a quem se atribui a criação da humanidade; Yandi, patriarca que ensinou aos chineses a prática da agricultura; Huangdi, fundador da China; Guanyu, deus dos policiais, da guerra, da fortuna e da lei; Baosheng Dadi, médico divino, cujos poderes incluíam ressuscitar os mortos; Caishen, deus da riqueza. E muitos outros. A China é, também, a terra do taoísmo e a pátria adotiva do budismo que, ainda hoje, têm grande difusão internacional.

Mas não houve ali um grupo social especializado em administrar os negócios religiosos. Apenas nos séculos II e III da nossa era instituiu-se a classe de sacerdotes vinculados ao taoísmo. O modelo era, entretanto, frouxo: entre os encarregados dos ofícios religiosos existiam tanto os que eram casados e tinham vidas normais quanto os celibatários; assim como havia mendigos, adeptos da alquimia, da astrologia.

 

Monoteísmo: Oriente, Arábia, Europa

A mais antiga manifestação da crença em um só deus parece ter sido o zoroastrismo, uma religião fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, que teria vivido em algum período entre os anos 1750 a 1000 antes da nossa era. Concepções religiosas de Zoroastro (assim os gregos preferiam chamá-lo), “como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo”, as três religiões monoteístas que sobreviveram até nossos dias.

É curioso, embora facilmente compreensível, que a história oficial das religiões, dominada em nosso meio pelos preconceitos cristãos, apresente o monoteísmo como uma espécie de ápice da compreensão humana, da mesma forma que o imperialismo seria o estágio superior do capitalismo, para Lênin; ou a teoria geral de tudo, atualmente buscada pelos cientistas, a culminância da Física. (A analogia não é minha; está num livro recente sobre a evolução da Matemática.)

Mesmo sem levar em conta o ponto de vista de Ian Stewart, a história de Afrodite e muitas outras mais desmentem de maneira cabal a alegada superioridade da crença em um deus único. Na verdade, o que o advento do monoteísmo fez foi substituir a extraordinária riqueza dos enredos de intrigas, ciúmes, amores e paixões que mantinham os deuses em intensa atividade por uma história monótona de obediência ou desobediência ao ditador universal. Os desvios a essa mensagem única são poucos e incapazes de rivalizar com a beleza e a profundidade das histórias que compõem a mitologia grega, para dar apenas o exemplo mais conhecido.

A identificação da deidade suprema com um ditador universal nos ajuda a entender por que, nas religiões monoteístas, os sacerdotes tendem a ter poderes terrenos extraordinários que, em exemplos familiares, algumas vezes os autorizam a assar dissidentes na fogueira e, em outras, como nos regimes políticos fundamentalistas islâmicos, a controlar diretamente o governo, com as conseqüências que se deveriam esperar.

 

Brasil pré-cabralino

No que começava a ser o Brasil, temos o testemunho do padre Manoel da Nóbrega, em 1549:

 

Procurei encontrar-me com um feiticeiro, o maior desta terra, ao qual chamavam todos para os curar em suas enfermidades; e lhe perguntei em virtude de quem fazia eles estas coisas e se tinha comunicação com Deus que criou o Céu e a Terra e reinava nos Céus, ou acaso se comunicava com o Demônio que estava no Inferno? Respondeu-me com pouca vergonha que ele era Deus e tinha nascido Deus e apresentou-me um a quem havia dado a saúde e que aquele Deus dos céus era seu amigo e lhe aparecia frequentes vezes nas nuvens, nos trovões e raios.

 

Ou, em outra carta do mesmo ano: “esta gentilidade nenhuma coisa adora, nem conhece a Deus; somente aos trovões chama Tupã, que é como diz coisa divina. E assim nós não temos outro vocábulo mais conveniente para os trazer ao conhecimento de Deus que chamar-lhe Pai Tupã”.

Os nativos brasileiros ainda dependiam da caça e coleta, conhecendo, apenas, uma agricultura rudimentar. Nessa economia de baixa produtividade, era impossível existir uma classe sacerdotal inteiramente dispensada da obrigação de produzir a própria subsistência. Uma realidade bastante diferente da dos próprios portugueses, cujos padres eram funcionários públicos, organizados em classe e, em regra, sustentados pelo esforço alheio. (Os jesuítas, no Brasil, foram beneficiados pela condição de sacerdotes na obtenção de sesmarias, mas também participavam da atividade econômica, tendo se tornado grandes proprietários de terras e de escravos.)

 

Em resumo…

Se esses Marduques, Shivnus, Tupãs nos parecem improváveis; é bom saber que uma porção de gente considera improvável que existam as nossas próprias figuras mitológicas. De qualquer modo, deus é o que não falta, na História. E não apenas na história já vivida; também na que ainda estamos vivendo. Mesmo uma relação parcial, limitada a algumas das principais correntes religiosas do mundo de hoje, incluiria o Confucionismo, Xintoísmo, Taoísmo, Budismo, Hinduísmo, Judaísmo, Cristianismo, e Islamismo, cada um com as suas inúmeras ramificações. Juntando tudo, tem deuses e deusas para todo gosto.

O problema é que o defensor da tese de que o deus judaico-cristão existe não está disposto a compartilhar dessa promiscuidade. Seu próprio mito não se contenta com nada menos que ser único, eterno, todo poderoso. É esse excesso de pretensão que, à luz da História, tira toda plausibilidade ao deus criado pelos que escreveram a Bíblia.

Mas o que a Filosofia diz a respeito?

 

 

  1. A DÚVIDA

 

Ninguém chega a Deus pela Filosofia. Em quase todos os casos, chega por proximidade cultural e ali permanece por inércia, estreiteza de raciocínio, ou “fé”. Muita gente, entretanto, sai de Deus pela Filosofia. É esta ameaça que impele os religiosos a inventar argumentos filosóficos (que, no fundo, eles próprios consideram irrelevantes) em favor da existência de Deus. Como há fortes interesses dos dois lados – os ateus precisam de argumentos racionais para sustentar sua posição; os sacerdotes devem cuidar de aumentar seus rebanhos – o debate continuará para sempre.

Naqueles lugares e épocas em que as pessoas não se sentem fisicamente ameaçadas por emitir opiniões divergentes das sustentadas pela boiada, essa controvérsia permanente não deixa de ser divertida.

 

Improvável ou impossível

Deus existe? Esta pergunta se repete pelos séculos, deixando transparecer que a entidade em causa padece de dúvidas capazes de contagiar seus adeptos na Terra. Ninguém, com a possível exceção de Descartes e seus colegas, vive se perguntando se existe ou não. A Coca Cola não repete em seus comerciais: “ei, gente, eu existo!”; os cigarros Marlboro têm saudades do velho Oeste, mas nunca duvidaram da própria existência. Com o deus cristão é diferente. E, mesmo que a resposta à pergunta “Deus existe?” seja, com grande frequência, orgulhosamente afirmativa, a simples necessidade de se ficar repetindo isso é sinal de pouca convicção.

Nesse embrulho todo, filosoficamente falando, sou agnóstico; mas, para todos os efeitos, sou ateu. Antecipei, portanto, minha resposta à pergunta acima. Agnóstico, pois não acho que alguém possa demonstrar a inexistência de Aton, Pangu, o deus cristão, ou suas desencarnações contemporâneas. Ateu, por considerações práticas.

Práticas, do seguinte tipo: para tocar a vida, todos nós precisamos de crenças operacionais. Não saio correndo feito louco cada vez que um avião passa no ar, pois acredito que ele vai permanecer lá em cima – e não que irá cair sobre minha cabeça. (Impossível, não é; improvável, sim.) Ainda retiro do bolso meu telefone celular quando desejo ligar para alguém, porque acredito que o aparelhinho, às vezes, fala, embora isso não possa ser provado e, pior, esteja se tornando a cada dia menos provável. Acredito que, como fez até hoje, a Universidade pagará meus proventos de professor no início do próximo mês. Mas, será que posso, mesmo, estar seguro disso? Na Espanha, por exemplo, eu não teria tanta certeza.

 

Improbabilidade da existência do deus cristão

Muitas coisas em que acreditamos ou desacreditamos também são impossíveis de serem demonstradas como indubitavelmente verdadeiras ou falsas. Às vezes, elas são, apenas, “muito pouco prováveis”. É o que ocorre com a existência do deus cristão: impossível, não é; improvável, sim, pelas seguintes razões, entre outras:

  • Não existe nenhuma prova filosófica da existência de Deus. As que já foram propostas mais parecem serviços de advogados do que legítimas tentativas de usar a razão para conhecer a realidade – ainda que metafísica.
  • É mais fácil interpretar os deuses como criações humanas do que vice-versa. Em quase todas as culturas, eles têm aparência antropomórfica e os mesmos tipos de vícios e paixões dos homens e mulheres.
  • A forma, usualmente, irracional e agressiva com que os teístas defendem sua convicção sugere que a questão real não é se Deus existe ou não, mas a distribuição de poder e privilégios que se ampara na aceitação coletiva de sua suposta realidade.
  • Em última instância – muitos fiéis admitem isso com franqueza –, a crença em Deus não depende de nenhuma evidência racional ou empírica, mas da experiência subjetiva que os crentes chamam de fé. Infelizmente, uma seleção adequada de delírios e alucinações pode provocar qualquer tipo de crença (inclusive a de que eu sou Napoleão Bonaparte – e eu, definitivamente, não sou Napoleão Bonaparte). Nessas circunstâncias, as pessoas sensatas encarariam a fé religiosa como uma fonte de ilusões, nunca de certezas.

 

Causa primeira

Dos argumentos “filosóficos” em favor da existência de Deus, o mais repetido (e, à primeira vista, o mais impactante) é o da causa primeira, ou “o início de tudo”:

– O mundo existe?

– Sim.

– Então, alguém o criou.

Ou seja, a existência de Deus é deduzida da existência do mundo, assim como nós podemos deduzir que nossos pais existem, ou existiram, simplesmente, do fato de que estamos aqui. Parece forte, mas não é. Há quase cem anos, este argumento foi triturado pelo filósofo inglês Bertrand Russell (1872-1970) – e ele reconhece que não foi o primeiro a fazê-lo. Para entender o que Russell tinha em mente, basta formular a pergunta que, na lógica do raciocínio, naturalmente, se segue:

– E quem criou Deus?

Aí temos um problema. Pois, se o interlocutor replica: “ninguém criou Deus”, ele admite que alguma coisa pode existir sem causa. E, se alguma coisa pode existir sem causa, por que tem de ser Deus? Por que não pode ser o mundo?

Se tudo tem de ter uma causa, então Deus tem de ter uma causa. Se é possível existir algo que não tem causa, esse algo tanto pode ser o mundo como Deus, de modo que não pode haver nenhuma validade nesse raciocínio. Ele tem exatamente a mesma natureza que o ponto de vista hindu de que o mundo estava apoiado num elefante e o elefante numa tartaruga; e, quando se dizia: E a tartaruga?”, o hindu respondia: “Acho melhor mudarmos de assunto”.

 

Deus “deve” existir

Originalmente, o argumento seguinte remonta a Santo Anselmo, segundo nos relata Stephen Law.

Por definição, Deus é um ser tão grande que maior não pode ser concebido. Deus pode ser concebido como mera ideia ou como realmente existindo. Existir é maior do que não existir. Portanto, Deus deve existir.

Quem lembra do personagem Rolando Lero, na Escolinha do Professor Raimundo (Chico Anysio, TV Globo) vai entender meu comentário:

– Não captei, amado mestre.

Nem Rolando, nem Tomás de Aquino, nem Immanuel Kant. Tanto que este último chegou a escrever, no refraseamento proposto por Stephen Law:

Existência, concluiu Kant, não é parte de nenhum conceito, nem do de Deus. Portanto, não é verdade que “Deus existe” tem de ser verdadeiro.

 

O projeto inteligente

O argumento do “projeto inteligente” (ID, na sigla em inglês) é uma versão moderna do argumento teleológico, que já havia sido proposto e recusado por David Hume, filósofo escocês do século XVIII, amigo de Adam Smith. Em essência, ele sustenta que, se há ordem no mundo natural, tem de existir um “projetista inteligente” (ou seja, Deus).

Quem defende a versão moderna do argumento teleológico afirma, supostamente, em linguagem científica, que “determinadas características do universo e de coisas vivas são mais bem explicadas por uma causa inteligente do que por um processo não dirigido, como a seleção natural”. Ou seja, os proponentes do projeto inteligente querem levar a discussão para o campo da ciência. Eles sustentam, por exemplo, que o ID se opõe à tese da teoria evolucionária de que a ordem encontrada no mundo biológico pode ser explicada por causas naturais.

Bem, se os proponentes do Projeto Inteligente querem dar ao seu argumento um status científico, então eles devem ser respondidos por outros cientistas. De acordo com Richard Milner e Vittorio Maestro, editores-sênior da revista Natural History:

 

A maioria dos biólogos concluiu que os proponentes do Projeto Inteligente incorrem em uma das duas impropriedades seguintes: ou revelam ignorância, ou perpetram deliberada falsificação da ciência evolucionária.

 

“O conhecimento de Deus pela experiência religiosa”

A lista de Law chega ao fim com a ilustração de uma senhora vestida de freira e o enunciado do argumento que pretende chegar ao “conhecimento de Deus pela experiência religiosa”:

 

Durante experiências religiosas intensas, místicos como Santa Teresa d’Ávila podem se sentir tão cônscios da presença de Deus que perdem a noção de sua individualidade.

 

Não é um argumento de filosofia, que apela para a razão; muito menos de ciência, que combina razão e evidências empíricas. Trata-se, na verdade, de um tortuoso caminho que, antes de provar a existência de Deus, pode suscitar interpretações completamente outras sobre quem passa pela tal “experiência religiosa intensa”. Para avaliar o tamanho do perigo, considere as citações seguintes.

A primeira, do site Psiqweb:

 

Alucinação é a percepção real de um objeto inexistente, ou seja, são percepções sem um estímulo externo. Dizemos que a percepção é real, tendo em vista a convicção inabalável que a pessoa manifesta em relação ao objeto alucinado. Sendo a percepção da alucinação de origem interna, emancipada de todas variáveis que podem acompanhar os estímulos ambientais, um objeto alucinado, muitas vezes, é percebido mais nitidamente que os objetos reais de fato.

 

A segunda citação foi retirada do site do Instituto de Neurociências & Comportamento (INeC), da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto:

 

Os delírios são crenças errôneas que habitualmente implicam em experiências que fogem da percepção do indivíduo. São categorizados como delírios persecutórios, de grandiosidade, de controle e somático. Delírios persecutórios são os mais frequentes. O indivíduo crê em ideias falsas, admite que esteja sendo perseguido, ou que pessoas estão tentando prejudicar-lhe ou lhes fazer algum mal. Delírios de grandiosidade são caracterizados pela opinião exagerada de importância ou poder, como afirmar ser Jesus Cristo ou dizer que é dono do mundo.

 

Embora todos saibam que a renúncia ao sexo pode provocar distúrbios mentais variados, espero, sinceramente, que este não tenha sido o caso de Santa Teresa. Mas, daí a transformar sua incomum experiência subjetiva numa prova da existência de Deus vai uma grande distância.

 

 

  1. EPÍLOGO

 

Os deuses nunca estão sós, ao seu lado sempre aparecem os sacerdotes. Exceto nas sociedades muito primitivas, como as dos indígenas brasileiros, os sacerdotes nunca estão sós, ao seu lado sempre aparecem as igrejas. O fechamento do artigo deveria mencionar esses três elementos.

 

Deuses

Uma relação muito abreviada dos deuses antigos foi dada acima. Como se fora o ministério da presidenta Dilma, há na História deuses para todas as funções: acender o fogo, apagar o fogo, promover o amor, abençoar a embriaguez, entregar correspondências, guiar os marinheiros, cuidar da agricultura, favorecer a pesca, desenvolver a indústria, etc, etc, etc.

Se não houvessem morrido antes, os deuses antigos teriam sido exterminados pela caixa de fósforos, o corpo de bombeiros, o Viagra, o uísque Ballantines, o correio eletrônico, o GPS, os fertilizantes 10-10-10, o sonar, a máquina a vapor, etc, etc, etc. Com muito maior eficácia que os Hermes ou Bacos de antanho, cada uma dessas invenções modernas ajudou os homens e mulheres a resolver seus problemas específicos, tornando os deuses dispensáveis.

O que sobrou de Shamach, deus do sol na antiga Mesopotâmia? Nada. Embora fosse apresentado como imortal e poderoso, ele desapareceu com a extinção de sua civilização e ninguém mais diz que Shamach existe, ou existiu. O mesmo fim tiveram Apolo, Artêmis, Ares, Atena, Cronos, Hefesto, Adônis, Urano e os demais deuses da Grécia clássica. Igual aos adeptos do pastor Jim Jones (o Google pode ajudar, se o nome já caiu no esquecimento), os deuses gregos morreram todos. Hoje, na melhor das hipóteses, são marcas de sapato.

Por que seria diferente com os deuses contemporâneos?

 

Sacerdotes e igrejas

O aparecimento da classe sacerdotal e das instituições religiosas por eles comandadas transforma os eventos psicológicos decorrentes da propensão humana a buscar proteção e explicações diante do desconhecido em fatos sociais. (Freud diria que os “eventos psicológicos” têm outras razões de ser e outras funções, mas isso pouco importa, neste contexto.)

Na origem – no caso clássico, pelo menos –, a classe sacerdotal é estimulada a aparecer e a religião a se consolidar como instituição pela sua capacidade de contribuir para a manutenção da respectiva organização social, com sua específica distribuição de regalias e obrigações. Os sacerdotes, claro, tiram proveito disso, cavando um lugar de muito destaque e pouco trabalho para si mesmos na sociedade que eles ajudam a preservar. Com o passar do tempo, entretanto, a religião institucionalizada tende a se tornar um ator de peso na trama social. Neste processo, as igrejas se transformam em entidades, até certo ponto, autônomas preocupadas, acima de tudo, em assegurar a própria sobrevivência e promover os interesses de seus dirigentes, até mesmo em desafio à continuidade da ordem social mais ampla que as abriga.

 

***

 

Escrevi no prólogo que “em intervalos irregulares de dez ou quinze anos, revisito estes temas”. Pois vou inconcluir o artigo com uma nota pessoal. Em 1966, escrevi, num diário que mantive durante a juventude:

Considero que, dentro do que habitualmente entendemos por religião, ela representa a catacumba das esperanças humanas. Continuo a acreditar que Céu e Inferno são apenas reflexos de nossas aspirações e que Deus é o resultado da propaganda. (Transcrito para o Diário em 03/01/1966, mas escrito antes, em data não especificada.)

Como se vê, não apenas Teresa d’Ávila tem convicções arraigadas. Mas, ao contrário do que pensaria a santa, “deus me livre” que minha descrença seja imune a um bom argumento racional, lógico, científico, histórico, em contrário.

 

 

Texto escrito no Alto do Céu, Recife, PE, e na Ilha do Mosqueiro, Belém, PA, em julho de 2012. Lourdes Barbosa, Gabriela Maia Gomes e o autor agradecem a hospitalidade de Conceição e Francisco Barbosa, que nos receberam magnificamente, por dois fins de semana, em sua agradável casa de praia na baía do Marajó.

 

gustavomaiagomes@gmail.com

 

NOTAS DE RODAPÉ

  1. Citações retiradas de Manoel da Nóbrega, Cartas do Brasil. (Cartas Jesuíticas, I). Belo Horizonte, Itatiaia; São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo, 1988, pág. 75.
  2. Dados para 2010: IBGE, Censo 2010: número de católicos cai e aumenta o de evangélicos, espíritas e sem religião, em http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_ visualiza.php?id_noticia=2170&id_pagina=1. Dados para 1960: FGV (Fundação Getúlio Vargas), Novo mapa das religiões. Coordenação: Marcelo Côrtes Néri. Rio de Janeiro, 2011, disponível em http://www.cps.fgv.br/cps/religiao/, a partir da base estatística do IBGE.
  3. Outros livros importantes que deram continuidade ao movimento: The God Delusion, de Richard Dawkins (2006); Breaking the Spell: Religion as a Natural Phenomenon, de Daniel Dennett (2006); God: The Failed Hypothesis: How Science Shows that God does not Exist, de Victor J. Stenger (2007); e God is not Great: How Religion Poisons Everything, de Christopher Hitchens (2007).
  4. Stephen Law, Filosofia. (Guia Ilustrado Zahar). Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2009.
  5. Freud tratou do fenômeno religioso em livros como Totem e tabu, O futuro de uma ilusão e O mal-estar da civilização. A frase “a religião é o ópio do povo” está em Karl Marx, Crítica da filosofia do direito de Hegel. A visão de Bourdieu sobre a religião foi sumariada por Craig Martin, “Review of Terry Rey´s Bourdieu on Religion: Imposing Faith and Legitimacy”. (London: Equinox, 2007). The Bible and Critical Theory, Vol. 5, N. 1, 2009, disponível em http://bibleandcriticaltheory.org/index.php/bct/article/viewFile/247/230.
  6. O sítio Patheos (http://www.patheos.com/) estima em 2,1 bilhões o número de adeptos do cristianismo, dos quais 1 bilhão seriam católicos. O hinduísmo teria 1 bilhão de seguidores; o islamismo, 1,5 bilhão; a religião chinesa, 400 milhões; o budismo, 350 milhões. Sendo a população mundial de 7 bilhões de pessoas, verifica-se que os cristãos somam apenas 30% da humanidade.
  7. Em http://www.mesopotamia.co.uk/gods/ home_set.html
  8. Em http://www.historylink101.net/egypt_1/religion.htm
  9. Em http://www.britannica.com/ EBchecked/topic/244768/Greek-religion/82602/ Shrines-and-temples
  10. Em http://en.wikipedia.org/wiki/Religion_in_ancient Rome#Religio_and_the_state
  11. Em http://en.wikipedia.org/wiki/Chinese _folk_religion
  12. Em http://www.britannica.com/EBchecked/topic/475922/ priesthood/ 38744/ Buddhism-Daoism-and-Shinto-in-China-and-Japan
  13. Em http://pt.wikipedia.org/wiki/Zoroastrismo. A classificação do cristianismo como monoteísta é problemática. Max Weber (1864-1920) escreveu: “somente o judaísmo e o islamismo são estritamente monoteístas em seus fundamentos. No cristianismo, nem mesmo durante a Reforma a crença na existência de espíritos foi permanentemente eliminada”. (Sociology of Religion, Part (A) Origins of Religion; seção (A.3.i) Monotheism. Em http://www.ne.jp/asahi/moriyuki/ abukuma/weber/society/socio_relig/socio_relig_frame.html).
  14. Ian Stewart, Uma história da simetria na Matemática. Tradução: Claudio Carina; revisão técnica Samuel Jurkiewicz. Rio de Janeiro, Zahar, 2012. Na página 263 deste livro, diz o autor: “A noção de que deve existir uma teoria de tudo traz à mente as religiões monoteístas – nas quais, ao longo de milênios, disparatadas coleções de deuses e deusas com seus reinos específicos foram substituídas por um deus cujo reino é o todo. Esse processo em geral é visto como um avanço, mas parece um erro filosófico habitual conhecido como ‘equação de incógnitas’ em que a mesma causa é atribuída a todos os fenômenos misteriosos.”
  15. Manoel da Nóbrega, citado, pág. 95. A carta é de 1549.
  16. A expressão “serviço de advogado” foi tirada de Bertrand Russell, O melhor de Bertrand Russell: Silhuetas satíricas. Seleção e introdução de Robert E. Egner. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000, págs. 47-48.)
  17. A discussão filosófica prossegue, e não se deve esperar que ela acabe jamais. Para uma abordagem recente que defende as posições cristãs, veja-se William Lane Craig, O novo ateísmo e cinco argumentos para a existência de Deus. Tradução, revisão e edição: Eliel Vieira, Copyright © 2010 by Christon Campus Initiative (CCI), em http://ibpan.com.br/site/images/stories/Downloads/Estudos_Biblicos/O%20Novo%20Ate%C3%ADsmo%20e%20Os%20Argumentos%20Para%20a%20Exist%C3%AAncia%20de%20Deus.pdf
  18. Stephen Law, Filosofia. cit., págs. 140/152, alinha mais três argumentos que tentam mostrar ser racional crer em Deus. Eles são discutidos no restante deste trabalho.
  19. Bertrand Russell, O melhor de Bertrand Russel, pág. 44.
  20. Law, Filosofia, pág. 140.
  21. Law, Filosofia, pág. 141.
  22. Em http://www.intelligentdesignnetwork. org/
  23. Richard Milner & Vittorio Maestro, senior editors of Natural History: “Intelligent Design?” (Introduction), em http://www.actionbioscience.org/evolution/nhmag.html
  24. Law, Filosofia, pág. 150.
  25. Em http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=103

 

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