Transições para a vida adulta no Brasil

Transições para a vida adulta no Brasil

Carlos Costa Ribeiro, sociólogo

 

fênomeno da entrada na vida adulta, ou passagem da adolescência para a vida adulta, pode ser entendido de diversas maneiras. Do ponto de vista psicológico, por exemplo, há uma preocupação em entender como os indivíduos passam a ter posicionamentos e sentimentos mais maduros, condizentes com os deveres e necessidades da vida adulta. Os antropólogos, por sua vez, procuram interpretar o significado cultural dos papéis e comportamentos dos jovens no momento em que começam a assumir posições sociais de adultos. Uma perspectiva bastante diferente, embora muito interessante e certamente complementar, é adotada pela macrossociologia voltada para o entendimento das dinâmicas populacionais. O foco das pesquisas sociológicas e demográficas é entender como mudam as tendências na população como um todo. Mais especificamente, é fundamental descrever, do ponto de vista populacional, algumas transições sociais que levam os indivíduos a assumir papéis sociais característicos da vida adulta.

Nessa perspectiva, pelo menos cinco transições podem ser definidas. Para se tornarem adultos, os indivíduos devem: (1) terminar sua escolaridade, (2) entrar no mercado de trabalho, (3) estabelecer uma residência própria, (4) casar e (5) ter filhos. Em tese, essas transições deveriam ocorrer durante um curto período do ciclo de vida. Embora seja socialmente esperado que as transições ocorram dessa maneira, sabemos que nem sempre as coisas acontecem exatamente assim. Obviamente, a ordem e o tempo entre as transições podem variar bastante entre os indivíduos, mas o que é mais importante na perspectiva macrossociológica é observar as tendências de variação entre populações. Em alguns países ou épocas históricas, a maioria da população faz as cinco transições de forma concatenada e em um curto período do ciclo de vida, enquanto em outros lugares e momentos um número significativo de pessoas não completa algumas das transições ou leva muito tempo para completar algumas. Essas variações históricas e entre países estão em geral relacionadas às características que marcam algumas importantes instituições sociais, em particular, o sistema educacional, o mercado de trabalho, a família e as políticas de proteção social. Essas instituições se modificam ao longo do tempo e entre países, o que leva a mudanças e diferenças nos padrões de transição para a vida adulta.

 

 

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de acordo com a teoria dos ciclos de vida, dois movimentos históricos caracterizam a transição para a vida adulta. O primeiro é denominado de “padronização”. Com o advento das instituições modernas (sistemas educacionais, famílias nucleares, mercados de trabalho regulado e estado de proteção social) houve uma tendência de padronização dos ciclos de vida, ou seja, a maior parte da população passou a seguir um caminho semelhante de entrada na vida adulta. A maioria dos jovens passa a frequentar escolas, que preparariam para o mercado de trabalho, e portanto passa a ter uma definição institucional dos períodos que separam a escolaridade da vida produtiva na esfera do trabalho. Paralelamente, as famílias deixam de ser extensas, com várias gerações vivendo no mesmo domicílio, para se tornarem nucleares, com pais e filhos vivendo por um período determinado na mesma residência e os avós vivendo em outras casas. Em outras palavras, as pessoas passam, em tese, a viver num novo domicílio, diferente do de seus pais, no momento em que se casam. As esferas produtivas (trabalho e educação) são separadas das reprodutivas (família e criação de domicílio próprio). Essas tendências, que ocorreram em diversos países á medida que se industrializaram e se modernizaram, colaboraram para criar uma espécie de “padronização” dos ciclos de vida e das transições para a vida adulta. Ou seja, a maior parte da população faz as cinco transições definidas acima em um curto período do ciclo de vida.

Em diversas sociedades modernas, principalmente nos países de industrialização avançada, essa “padronização” vem sendo desfeita aos poucos. Um percentual significativo de indivíduos fica longo período dentro dos sistemas educacionais, demora mais para começar a trabalhar, não se casa ou se casa diversas vezes, e raramente têm filhos ou posterga a maternidade ou paternidade para idades mais avançadas. Em alguns países, os filhos adultos permanecem por longos períodos, até ficarem relativamente mais velhos, na casa dos pais, mesmo que tenham terminado seu período de escolarização e já sejam profissionais ou trabalhadores totalmente integrados no mercado de trabalho. Além disso, as cinco transições, quando ocorrem, se espalham por um longo período do ciclo de vida; não são mais feitas de forma seguida e em poucos anos, mas ocorrem de forma desordenada e ao longo de muitos anos. Alguns autores acreditam que esteja ocorrendo uma expansão do período de juventude, em que os indivíduos estão experimentando diferentes formas de vida. Outros dizem que há uma maior incerteza, tendo em vista que as transições não são mais socialmente determinadas. Essa desconcentração temporal e diversidade de padrões de transição para a vida adulta tem sido denominada de “despadronização” dos ciclos de vida.

A maior parte dos estudos nessa área vem sendo desenvolvida em países industrializados do hemisfério norte. Países nos quais os níveis de igualdade, de institucionalização do estado de bem-estar, de expansão do sistema educacional e de desenvolvimento econômico são bem maiores do que no Brasil. Será que os padrões observados nesses países também estão presentes no Brasil? Para responder a essa pergunta, examino diferenças na heterogeneidade nas combinações de status demográficos específicos (estuda ou não estuda, trabalha ou não trabalha, casado ou não, chefe de domicílio ou não) em diferentes idades (entre 12 e 30 anos) no Brasil em 1970 e 2010 (dados dos Census Populacionais). Nesse período, o país se industrializou crescentemente, se institucionalizou e experimentou crescimento significativo da desigualdade de renda.  Além disso, do ponto de vista demográfico, houve uma diminuição da fecundidade, o que levou coortes de idade relativamente grandes (porque a fecundidade de seus pais era alta) a terem poucos filhos.  Consequentemente, houve uma diminuição das razões de dependência (diminuiu o número de pessoas dependentes por pessoas trabalhando).  Outra mudança importante foi a enorme expansão do sistema educacional de níveis fundamental e médio, principalmente a partir da década de 1980.

Apesar de todos esses avanços, na década de 1980 o Brasil passou por um sério período de crise econômica, com altos níveis de inflação, de forma que os jovens nesse período, mesmo aqueles que tinham completado níveis altos de educação, enfrentaram um mercado de trabalho em contração. Além disso, os altos níveis de desigualdade econômica no Brasil, que começaram a diminuir apenas em 1994 e na década de 2010, permaneceram altos. Isso significa que pessoas com condições socioeconômicas muito diferentes experimentaram padrões também muito diferentes de transição para a vida adulta. A despeito de todas essas diferenças, é provável que algumas tendências observadas em outros países estejam ocorrendo também no Brasil; mais do que isso, é provável que entre 1970 e 2010 essas tendências tenham se tornado mais claras e parecidas com as observadas em outras sociedades industriais.

Para descrever as mudanças nos padrões de transição para a vida atulta entre 1970 e 2010, uso um indicador, ou medida, chamado “índice de entropia da variância qualitativa”, que resume como coortes com idades específicas combinam os diferentes status demográficos (Billari 2000, 2001; Fussell 2005).  Uso quatro marcadores de transição: (1) frequenta escola (sim ou não), trabalha (sim ou não), chefia de domicílio (sim ou não) e estado civil (casado ou solteiro). A partir dos censos de 1970 e 2010, calculei a medida de entropia (joint entropy), que pode ser interpretada como a heterogeneidade na combinação de status demográficos para a população em cada idade entre 12 e 30 anos. Quando combinados por idade, esses índices (para cada idade específica) descrevem a experiência de coortes sintéticas na heterogeneidade de status demográficos no período de transição para a vida adulta. Essa medida quantitativa da variância qualitativa (variância nos status demográficos) permite comparar a experiência de transição para vida adulta dos jovens em 1970 e 2010.

A heterogeneidade na combinação de status demográficos indica o grau de “padronização” do ciclo de vida dos jovens com respeito a um número fixo de combinação de status em cada idade. Estudiosos dos ciclos de vida argumentam que enquanto o período de adolescência ou juventude passou a ser mais “padronizado”, a transição para a vida adulta se tornou cada vez mais diversificada e “despadronizada” nos países de industrialização avançada (Modell, Furstenberg, and Hershberg 1976; Bruckner and Mayer 2005; MacMillan 2005). No entanto, não há muitas pesquisas procurando verificar se essas tendências também se aplicam a países de industrialização recente nos quais as instituições que estruturam a vida dos adolescentes e jovens adultos se desenvolveram mais recentemente e de formas distintas. De acordo com os padrões de mudança no Brasil, brevemente apresentados anteriormente, é plausível imaginar que na primeira fase da adolescencia (idades entre 12 e 15) a heterogeneidade de status deve ter diminuido, uma vez que meninos e meninas tiveram mais acesso ao sistema escolar e diminuíram sua participação no mercado de trabalho.  Essa espectativa é consistente com a ideia de que há uma “padronização” da adolescência.

Em contrapartida, as pesquisas sobre transições para a vida adulta em países desenvolvidos observaram “despadronização” dos ciclos de vida no período posterior ao fim da educação de ensino médio (idades de 18 anos ou mais). Em muitas dessas sociedades há uma demora na transição para os status ou papéis sociais de adultos, principalmente para o casamento e para a constituição de um domicílio próprio (chefia de domicílio). Essas demoras estão associadas ao prolongamento da educação pós-secundária (de terceiro grau), por um lado, e a um período de instabilidade ou experimentação com diferentes tipos de carreira profissional, por outro lado. O resultado é uma “despadronização” do ciclo de vida e uma maior heterogeneidade na combinação de status (Fussell and Furstenberg 2005; Lichter, McLaughlin, and Ribar 2002; MacMillan 2005; Oppenheimer, Kalmijn, and Lim 1997; Rindfuss 1991; Settersten, Rumbaut, and Furstenberg 2005; Shanahan 2000). Esses atrasos também estão associados a dificuldades sociais e econômicas em fazer diversas transições em uma faixa de idade condensada, o que resulta em uma maior demora na formação de famílias próprias (casamento e paternidade) (Modell, Furstenberg, and Herschberg 1976; Fussell and Furstenberg 2005). Neste artigo, procuro verificar se essas espectativas baseadas nos resultados de pesquisas feitas em países industrializados são válidas para o Brasil, que é um país com altos níveis de desigualdade econômica, com industrialização relativamente recente, com menos acesso ao sistema educacional, com um mercado de trabalho mais informalizado (menos regularizado) e com menos desenvolvimento de políticas de proteção social.

Para facilitar a verificação das possíveis semelhanças e diferenças entre o Brasil e os países industrializados estudados anteriormente, uso os mesmos status de adulto presentes nos estudos mencionados, ou seja, frequência na escola, emprego, casamento ou cohabitação, e chefia de domicílio.1 Algumas diferenças são marcantes. Por exemplo, a ligação entre casamento e formação de um domicílio próprio parece ser menos direta no Brasil do que nos países do hemisfério norte anteriormente estudados, onde filhos adultos deixam a casa dos pais antes ou no momento em que se casam (Hajnal 19xx; others). No Brasil, em contraposição, é comum que filhos casados continuem a viver com seus pais e raramente vivem separadamente de suas famílias quando são solteiros. A ideia de que jovens adultos serão economicamente independentes de seus pais também não se aplica perfeiramente. Assim, diferenças em normas sociais sobre o status de adulto podem contribuir para aumentar ou diminuir a heterogeneidade de status entre os jovens adultos (18-30 anos), dependendo do padrão de combinação ou concentração de alguns poucos status demográficos.

 

 

Se não houvesse mudanças significativas nas instituições sociais e normas estruturando o tempo e os status que constituem a vida adulta, não haveria mudanças nos níveis de heterogeneidade entre os jovens adultos (22 a 30 anos). No entanto, como no Brasil a educação universitária se expandiu moderadamente entre 1970 e 2010, imagino que o nível de heterogeneidade não tenha aumentado muito. Mudanças nos padrões de casamento e formação de novos domicílios também podem afetar a heterogeneidade em idades específicas, embora, por causa do fato  de esses eventos serem menos dependentes de instituições organizadas para certos grupos etários (como, por exemplo, o são as escolas), o efeito no grau de heterogeneidade pode ser mais fraco.  Por exemplo, uma mudança na idade média de casamento com pouca variação no tempo em que os casamentos ocorrem, como na Coreia do Sul, causaria um decréscimo na heterogeneidade quando poucas pessoas estão casadas e um aumento da heterogeneidade nas faixas etárias nas quais os casamentos se concentram. Uma mudança mais modesta na idade media ao casar, com muita variação no tempo de demora até o casamento, como ocorre no Brasil, causaria mudanças mais modestas  nos níveis de heterogeneidade.

 

Mudanças nas estruturas e instituições

econômicas e sociais

Até a década de 1970, o Brasil apresentou níveis de desenvolvimento e crescimento econômico altíssimos. Até esse momento o país adotava um modelo de substituição de importações, fortemente baseado em empréstimos estrangeiros, que não se sustentou depois das crises do petróleo e da dívida externa a partir dos anos 1980. Nos anos 1990, o país se viu obrigado a implementar políticas de liberalização e de reestruturação econômica.  Nesse período, décadas de 1980 e 1990, o país diminuiu drasticamente seu ritmo de crescimento (o PIB per capita cresceu apenas 1,75% nessas décadas). Como consequência desse período de crise, o governo e as famílias não foram capazes de investir de forma consistente em educação.

Não obtante, o país expandiu enormemente o acesso a educações fundamental e média. O acesso ao ensino médio, por exemplo, passou de 17% para 68% dos jovens entre 1970 e 2010. A expansão do ensino fundamental foi ainda maior, dado que na década de 1990 praticamente se universalisou entre as crianças na faixa etária relevante. O ensino superior se expandiu de forma mais lenta, embora também tenha passado de 5% para 16% da população em idade relevante entre 1970 e 2010. Embora a expansão tenha sido significativa, ainda foi insuficiente, uma vez que o governo começou a investir de forma mais consistente em educação apenas na década de 1980. A crise também fez com as famílias recorressem ao trabalho dos jovens para se manterem e contribuiu para que muitos escolhessem o trabalho em detrimento dos estudos.

Paralelamente, houve uma redução da fecundidade e uma diminuição das taxas de crescimento populacional no Brasil. A taxa de fecundidade total caiu de 5,4 para 2,5 entre 1970 e 2010. A expectativa de vida também se expandiu bastante, aumentou aproximadamente dez anos. Essas mudanças demográficas levaram a diminuição da taxa de dependência, proporção de pessoas trabalhando em relação a pessoas não trabalhando (crianças, jovens e velhos), para menos de 1, o que em tese aumentaria a capacidade das famílias e da sociedade de investimento na educação e no bem-estar das crianças e jovens.

De fato, a habilidade dos pais e famílias para manter seus filhos na escola e fora do mercado de trabalho é uma forma fundamental de investimento nas crianças que contribui diretamente para a “padronização” da adolescência. Em 1970, cerca de 59,3% dos homens jovens e 23,3% das mulheres jovens entre 15 e 19 anos estavam participando do mercado de trabalho no Brasil. Em 2010, a participação no mercado de trabalho para a população nessa faixa etária diminuiu para 44% entre os homens e aumentou para 25% entre as mulheres. Esses números revelam que no Brasil o trabalho entre os jovens continua a ser bastante comum, o que, combinado com o aumento do acesso a educação de ensino médio, acabou por levar a pouca “padronização” nessa fase do ciclo de vida, como veremos mais adiante.

Essas macromedidas das mudanças sociais e econômicas no Brasil ajudam a entender algumas mudanças históricas e institucionais que podem ter afetado os padrões de transição para a vida adulta no Brasil entre 1970 e 2010. De fato, nesse período o investimento brasileiro em instituições favorecendo a “padronização” da adolescência foi muito baixo, limitando-se em grande parte à expansão do ensino fundamental. Além disso, também houve um enorme aumento do acesso das mulheres ao sistema educacional, o que pode ter levado a mudanças nas transições para vida adulta entre 1970 e 2010. Em outras palavras, o parco desenvolvimento econômico, a pouca expansão da educação de ensinos médio e superior e alguns avanços demográficos levaram a um investimento ainda pequeno em áreas que favoreceriam um aumento da “padronização” da adolescência no Brasil. De fato, as transições para a vida adulta no Brasil ainda ocorrem em idades relativamente baixas quando comparadas a outros países industrializados.

 

Dados e métodos

Análise de entropia

Índices baseados na transformação entrópica foram desenvolvidos e usados por diversos pesquisadores para mensurar as desigualdades na distribuição de variáveis contínuas ou ordinais, tais como renda, distribuições populacionais e ocupações (Allison 1984; Gorard and Taylor 2002; Magidson 1981).  Aplicando uma ideia semelhante às variáveis binárias, Billari (2001) usou o índice de entropia de Theil para mensurar a heterogeneidade em uma sequência de status demográficos entre jovens italianos. Neste artigo uso uma abordagem semelhante à de Billari, que examinou a combinação de status em coortes de idade ao longo do ciclo de vida para calcular o índice de entropia para cada idade em dados do censo italiano. Neste capítulo, calculo o índice para homens e mulheres separadamente em cada um dos censos brasileiros analisados, ou seja, para descrever as diferenças temporais ou históricas no momento e na complexidade da transição para vida adulta, comparo a distribuição do índice de entropia por idade nos censos de 1970 e 2010 respectivamente para homens e mulheres. Seguindo o trabalho de Fussell (Fussell 2005), considero a medida de entropia entre os grupos de idade em cada censo como sendo uma medida de coortes sintéticas, que provavelmente seguem um padrão comum ao longo dos ciclos de vida em cada distribuição de idade específica. Ou seja, imagino que pessoas em cada idade vão seguir um padrão semelhante aos de outras pessoas com idades superiores dentro da faixa de 12 a 30 anos em cada censo analisado.

Quatro status diferentes, marcando a transição para vida adulta, são analisados: frequência a escola (sim ou não), participação no mercado de trabalho (sim ou não), estado civil (casado ou não) e status como chefe de domicílio ou cônjuge do chefe (sim ou não). Para obter esses quatro marcadores de transição para vida adulta para um grande número de indivíduos em cada idade entre 12 e 30 anos, uso dados das amostras de um por cento dos censos brasileiros de 1970 e 2010. Apenas distinções dicotômicas entre os status foram definidas. Em cada censo, fiz a distinção entre as pessoas que estavam frequentando ou não a escola no momento do censo. Para a participação no mercado de trabalho, separei aqueles que tinham algum trabalho ou não (desmpregados foram considerados como sem trabalho), independentemente do fato de o trabalho ser em tempo integral ou parcial.  Para o status de estado civil, codifiquei aqueles que estavam casados, divorciados ou viúvos como 1 (alguma vez casado na vida) e aqueles que nunca estiveram casados como 0. Aqueles que estavam em coabitação também foram considerados como casados (1). Finalmente, fiz a distinção entre chefes ou cônjuges dos chefes de domicílio (1) e aqueles que não tinham nem um dos dois status.

Levando em conta esses quatro status dicotomizados, há a possibilidade de que em cada idade os indivíduos se distribuam em 16 combinações diferentes de status. O índice de entropia com quatro dimensões pode ser calculado de acordo com a seguinte fórmula (Cover and Thomas, 1991):

 

 

onde S, W, M e H são quatro variáveis dicotômicas representando os status dos indivíduos em cada idade (S = frequência a escola, W = participação no mercado de trabalho, M = estado civil e H = chefia de domicílio), p é a distribuição conjunta dos indivíduos em cada uma das 16 combinações de status possíveis e i é o indicador para idade. Com um total de 16 combinações de status, o índice de entropia assume valores de 0 a 4 indicando o grau de heterogeneidade na combinação de status em cada idade específica (quanto maior o valor, maior o grau de heterogeneidade).

Tendo em vista que esse índice é uma medida qualitativa da variância, uso um padrão qualitativo para determinar se as diferenças entre os períodos e entre homens e mulheres são relevantes. A entropia de status em cada idade específica de cada coorte sintética se distribui de forma altamente padronizada; consequentemente, em vez de me preocupar com o tamanho da diferença entre cada medida específica, proponho o exame da diferença no padrão geral da distribuição ao longo das idades que parece ser significativa.2

Nas análises apresentadas neste capítulo, estou interessado principalmente nas diferenças entre 1970 e 2010 nas idades pico (pontos mais altos das curvas) da entropia conjunta total [join entropy: (H(SWMH))], na entropia conjunta dos status econômicos [economic status joint entropy: (H(SW))] e na entropia conjunta de status familiares [family status joint entropy: (H(MH))]. O que espero observar é um aumento na idade pico das transições econômicas entre 1970 e 2010, mudança associada principalmente à expansão do acesso ao sistema educacional. Essa mudança nas transições dos status econômicos deve também estar associada a um aumento das idades pico nas transições familiares, tendo em vista que as coortes de idade mais novas reorganizam seus cursos de vida para minimizar as demandas associadas com as novas características educacionais e econômicas de suas vidas.

 

Resultados

O índice de entropia total da combinação de todos os status demográficos (joint entropy of status combinations) mostra um padrão consistente de crescimento entre os 12 anos de idade e os vinte e poucos anos de idade, e em seguida diminuem. Tendo em vista que as idades estruturam a vida das pessoas, vale a pena fazer algumas divisões etárias socialmente significativas. Neste sentido, sugiro a divisão nas seguintes etapas do ciclo de vida dos jovens: idades mais novas do que 15 anos, idades entre 15 e 17 anos, idades entre 18 e 24 anos e 25 anos ou mais. Para facilitar a apresentação dos resultados, chamo cada uma dessas faixas etárias pelos seguintes termos: início da adolescência (12 a 14 anos), fim da adolescência (15 a 17 anos), primeira fase (18 a 24) e segunda fase (25 a 30 anos) da juventude (i.e., jovens adultos).

No início da adolescência, antes dos 15 anos de idade, a combinação de status demográficos é relativamente homogênea, o que torna a entropia conjunta relativamente baixa. A combinação de status típica nessa fase da vida (combinação modal) é: frequentar a escola, não trabalhar, não ser chefe de domicílio e não ser casado. Entre 1970 e 2010 houve um declínio na heterogeneidade da combinação de status, na entropia conjunta, no início da adolescência, o que está de acordo com a hipótese de “padronização da adolescência”. A entropia conjunta diminuiu de 1,6 para meninos e meninas de 14 anos em 1970 para 1,2 e 1,1, respectivamente, em 2010. A padronização do início da adolescência realmente está ocorrendo no Brasil. Quando comparamos o Brasil com outros países, Coreia do Sul e México, observamos que a mudança brasileira é semelhante à Mexicana, mas muito menos acentuada do que a Coreana, que também parte de um patamar semelhante.

No fim da adolescência (15 a 17 anos), a combinação típica de status (combinação modal) descrita anteriormente diminui à medida que os jovens passam a ser legalmente aptos a entrar no mercado de trabalho e a deixar a escola. Com 15 anos de idade, os jovens brasileiros têm permissão legal para trabalhar como aprendizes, e não são obrigados a seguir a escola no ensino médio, que não é obrigatório. Se os jovens mudarem de status em proporções substanciais, a entropia conjunta aumenta, o que expressa maior heterogeneidade na combinação de status das coortes de idade. No Brasil não há “padronização da adolescência” nessa faixa etária dos 15 aos 17 anos, ou seja, os adolescentes nessa faixa etária ainda continuam a apresentar uma grande diversidade de combinação dos quatro status demográficos definidos. Entre 1970 e 2010, a entropia conjunta aos 16 anos de idade mudou muito pouco. Passou de 1,8 para homens e 2,0 para mulheres em 1970 para 1,8 e 1,9 em 2010. Isso significa que ainda há uma grande proporção de jovens assumindo status ou papéis de adultos nessa segunda fase da adolescência. Enquanto uma parte dos jovens segue o padrão tradicional (estuda, não trabalha, não está casado e não é chefe de domicílio), há um número significativo que já começa a assumir alguns status da vida adulta (deixa a escola, começa a trabalhar, se casa e é chefe ou cônjuge em domicílio). Isso significa que a alta heterogeneidade populacional nessa fase da vida dos jovens no Brasil não mudou significativamente entre 1970 e 2010.

 

 

Aentrada na vida adulta, entre os 18 e 30 anos de idade, coincide com o fim da escolarização de ensino médio e a possibilidade de continuar os estudos em universidades ou em outros cursos de ensino de especialização. Também é nessa fase que os indivíduos começam a se estabelecer de forma mais regular no mercado de trabalho. Além disso, os jovens adultos passam a ter autonomia legal para decidir se vão ou não se casar e também podem assumir contratos que lhes permitem estabelecer um domicílio próprio (via aluguel, por exemplo). Essas possibilidades de mudança de status, permitidas por lei e socialmente esperadas, podem se refletir em aumento do índice de entropia em relação ao observado para pessoas mais novas. Tudo isso passa a ser importante principalmente depois que os indivíduos completam 18 anos de idade. Dessa idade em diante, é muito provável que o índice de entropia cresça em relação às idades anteriores da adolescência, tendo em vista que a combinação possível de status demográficos aumenta muito. No entanto, mudanças entre 1970 e 2010 podem ocorrer principalmente se houver alguma mudança no padrão dos cursos de vida que gere um aumento ou diminuição da heterogeneidade de combinação de status dos jovens adultos.

Para facilitar a interpretação, e baseado nos padrões empiricamente observados, separei a fase de vida dos jovens adultos em duas partes: dos 18 aos 24 anos e dos 25 aos 30 anos.  De fato, os dados revelam que entre os 18 e 24 anos o índice de entropia chega aos seus valores mais altos. Isso é uma consequência direta da grande proporção de pessoas em cada tipo diferente de combinação de status. Nesse período do ciclo de vida, os indivíduos fazem as transições em momentos e ordens diferentes, o que aumenta o número de combinações observadas. Há alguns que já se casaram, não trabalham, ainda estudam e moram com os cônjuges; outros que não se casaram, trabalham, ainda moram com os pais e já pararam de estudar; outros ainda que trabalham, estudam, são casadose chefes de domicílio; etc. Enfim, há proporções relativamente altas de indivíduos em muitas combinações de status possíveis. Essa situação, de muita heterogeneidade, é típica da fase da vida em que muitas pessoas estão fazendo as transições para a vida adulta; a partir do momento que a maioria já fez as transições, é comum que haja uma diminuição do índice de entropia, uma vez que uma maior proporção de pessoas passa a se concentrar em uma combinação de status semelhante e característico da vida adulta. Tipicamente essa combinação de status na vida adulta seria: não estudar, trabalhar, estar casado e ter um domicílio próprio. De fato, entre 25 e 30 anos, observamos uma diminuição dos índices de entropia.

Como esperado, entre os 18 e 24 anos observamos índices altos de entropia, justamente porque há diferentes combinações dos quatro status para proporções relativamente altas de indivíduos em cada idade. Entre 1970 e 2010, o índice de entropia aumenta. Por exemplo, para pessoas com 21 anos de idade em 1970, o índice foi de 2,3 e 2,6 para homens e mulheres, respectivamente, e em 2010 esses números passaram para 2,8 e 3,2.  Essa tendência de aumento do índice de entropia entre 1970 e 2010 para os jovens adultos entre 18 e 24 anos mostra que há uma mudança nos padrões populacionais caracterizando a vida dos jovens adultos no Brasil. Há mais heterogeneidade, ou seja, mais combinações de status diferentes em 2010 do que em 1970. Isso significa que os jovens adultos estão cada vez mais experimentando diferentes padrões de transição para a vida adulta no Brasil. Ou, em outras palavras, há uma tendência de “despadronização” das transições para a vida adulta. Na Tabela 1 apresento algumas informações que ajudam a entender esse aumento de heterogeneidade nos padrões de transição para vida adulta no Brasil. Esse aumento entre 1970 e 2010, expressando uma “despadronização” dessa fase do ciclo de vida (18 a 24 anos), está provavelmente relacionado à expansão da participação no ensino médio, ao aumento das taxas de desemprego entre os homens jovens, ao aumento do emprego entre as mulheres jovens e a um aumento da idade média ao casar para homens e mulheres.

Na segunda fase da juventude (25 a 30 anos), há uma tendência de concentração em algumas poucas combinações de status demográficos relacionados à vida adulta. De fato, há uma tendência geral de diminuição da heterogeneidade em relação à fase anterior do ciclo de vida (18 a 24 anos). Não obstante, entre 1970 e 2010 também há um aumento de heterogeneidade, o que revela que ao longo dos anos também há uma “despadronização” dessa segunda fase da vida dos jovens adultos (25 a 30 anos) no Brasil. Por exemplo, entre as pessoas com 27 anos de idade, há um aumento, entre 1970 e 2010, do índice de entropia, que passa de 2,1 e 2,6, respectivamente para homens e mulheres, para 2,6 e 2,9.

Esses padrões de mudança nos índices de entropia podem ser interpretados como evidências de que realmente está havendo uma “padronização” da adolescência no Brasil entre 1970 e 2010. No entanto, o índice de entropia total ou conjunto (join entropy) não permite verificar quais são as principais causas do aumento nos níveis de entropia. Para responder a esta pergunta, dividi o índice de entropia total ou conjunto (join entropy) em dois componentes: um relativo à escola e ao trabalho, que são expressões da vida econômica, e outro relacionado ao casamento e à chefia de domicílio, que são expressões da vida familiar.

As figuras 2a-d apresentam o índice de entropia total, H(SWMH), entropia relacionada a status econômicos, H(SW) e a status de família, H(MH). Esses gráficos revelam em que medida o nível de entropia conjunta total em cada ano deriva dos status econômicos e dos relativos à família. Também mostram a mudança que ocorre nessa composição entre os anos. Ao construir esses gráficos, eu estava interessado especificamente em duas questões. Por que a entropia conjunta aumentou relativamente pouco, entre 1970 e 2010, na segunda fase da adolescência?  Por que aumentou a heterogeneidade entre os jovens adultos?

Os dados apresentados acima indicam que houve “padronização” da primeira fase da adolescência (12 a 14 anos), mas muito pouco na segunda fase (15 a 17 anos). Essa falta de “padronização” se deve principalmente ao fato de que, no Brasil, a educação de ensino médio se expandiu pouco entre 1970 e 2010. As figuras 2a-d confirmam essa interpretação na medida em que os valores para os indicadores de entropia conjunta total, H(SWMH), entropia de status econômicos, H(SW), e entropia de status de família, H(MH), praticamente não mudam entre 1970 e 2010. Em palavras mais simples, a distribuição da combinação de status nessa segunda fase da adolescência não mudou significativamente entre 1970 e 2010. Realmente, a expansão educacional parece ser a principal fonte de “padronização” da adolescência e essa expansão nas décadas estudadas se deu principalmente para indivíduos na primeira fase da adolescência, mas não para aqueles na segunda fase.

É mais difícil demonstrar por que os jovens adultos se tornaram mais heterogêneos em termos de status demográficos e transições para a vida adulta entre 1970 e 2010, porque todos os quatro status estão provavelmente relacionados a esse aumento. Os gráficos apresentados mostram um aumento da importância dos status familiares na primeira fase da vida adulta (18 a 24 anos). O que ocorre é que os status econômicos, H(SW), e de família, H(HM), formam duas corcovas diferentes, mostrando que as transições da escola para o trabalho e da solteirice e residência com os pais para o casamento e a chefia de domicílio ocorrem em idades diferentes. Isso é mais verdadeiro para os homens do que para as mulheres, porque para elas a saída da escola e entrada no casamento e em um novo domicílio estão mais diretamente relacionadas.

O aumento da heterogeneidade entre 1970 e 2010 se deve a um grande aumento da flexibilidade na combinação de status em 2010 do que em 1970. Para os homens em ambos os períodos, a distribuição etária dos status econômicos e de família formam duas corcovas separadas, enquanto para as mulheres as distribuições dos status econômicos e de família se cruzam durante a primeira fase da vida adulta (18 a 24 anos), levando a níveis bastante altos de entropia conjunta nessas idades. As diferenças entre 1970 e 2010 são mais de grau do que de tipo. Enquanto os status econômicos apresentam níveis de entropia ligeiramente mais altos no início da vida adulta tanto para homens quanto para mulheres, os status de família permanecem estáveis para os homens e crescem ligeiramente para as mulheres. Esses padrões sugerem que o aumento da heterogeneidade na combinação de status se deve a uma relativa falta de “padronização” na combinação de status entre os jovens adultos e a interseção nas idades em que as transições de status econômicos e familiares ocorrem.

 

Conclusão

As análises apresentadas neste artigo levam a algumas conclusões importantes sobre as mudanças nos padrões de transição para a vida adulta da população de jovens brasileiros entre 1970 e 2010. Em primeiro lugar, observei que a adolescência, principalmente até os 15 anos de idade, está se tornando mais “padronizada” no Brasil. Em contrapartida, os jovens adultos (a partir dos 18 anos) estão seguindo cada vez mais padrões distintos de transição para a vida adulta, ou seja, estão fazendo as transições (parando de estudar, começando a trabalhar, casando e saindo da casa dos pais) de forma cada vez menos “padronizada”. Esta “despadronização” é ainda maior para as mulheres do que para os homens. Aproveito esta conclusão para fazer algumas interpretações mais livres sobre as tendências encontradas.

O aumento da padronização entre 1970 e 2010 para os adolescentes (até os 15 anos) se deve em grande medida à expansão educacional. Há um aumento da proporção de jovens nessa faixa etária  frequentando a escola e não trabalhando. Essa tendência é altamente positiva, porque mostra que os jovens estão cada vez mais investindo em educação, o que é positivo para suas vidas. Surprende, no entanto, o fato de que o efeito da expansão educacional não perdure até idades mais avançadas e que os jovens comecem a deixar os estudos ainda muito cedo em suas vidas. O fato de que boa parte dos jovens também começa a trabalhar a partir dos 15 anos também contribui para aumentar a heterogeneidade na combinação de transições. O início do trabalho nessa fase da vida, quando combinado ao estudo, não é necessariamente negativo, uma vez que pode representar alguma forma de aprendizado e treinamento. No entanto, esse não parece ser o caso para a maioria dos jovens que iniciam o trabalho por necessidade financeira e não por motivação de treinamento e aprendizado de uma ocupação. Em um país estremamente desigual como o Brasil, mais anos de escolaridade sempre significa melhor posicionamento futuro no mercado de trabalho e mais recursos para a obtenção de recompensas financeiras e outras. Seria melhor que houvesse um aumento da “padronização” das transições até um período mais avançado do ciclo de vidas. Seria bom que os jovens ficassem mais tempo estudando, o que implicaria retardar a saída da casa dos pais, o início do trabalho e o casamento.

 

 

por outro lado, observamos um aumento ao longo dos anos na diversidade de combinações de status (estado civil, estudo, trabalho e moradia prória) a partir dos 17 ou 18 anos. Esse aumento é ainda mais acentuado para as mulheres do que para os homens (ver gráfico 3). O aumento da heterogeneidade significa que os jovens não estão todos seguindo o mesmo caminho, ou seja, há diferentes formas de combinação de status. Há alguns que estudam por mais tempo, continuam na casa dos pais e não casam; outros que se casam, continuam na casa dos pais e não trabalham; outros que param de estudar, trabalham e continuam na casa dos pais; etc. Em outras palavras, há um aumento no número de combinações entre os status. É interessante imaginarmos alguns casos específicos. Por exemplo, passou a ser mais comum em algumas famílias de classe média os filhos terminarem a faculdade e começarem a trabalhar mas permanecerem morando com seus pais e não se casarem. Antigamente esse tipo de combinação não era tão comum, mas hoje há vários casos desse tipo. Há obviamente diversas outras situações, como, por exemplo, indivíduos de classes mais baixas se casando e permanecendo com os pais. O que é importante do ponto de vista populacional é que há um aumento visível dos tipos de combinações de status e um espalhamento das transições por um periodo mais longo do ciclo de vida. Essa tendência é positiva na medida em que representa uma extensão do periodo de experimentação com novos estílos de vida entre os jovens, mas também pode levar a apreensões na medida em que não há um padrão definido de transições. Essa expansão da heterogeneidade também pode ser vista como uma tendência de ampliamento do ciclo de vida definido como juventude na medida em que retarda uma série de transições que definem a entrada na vida adulta. Finalmente, é importante levar em conta que o aumento da heterogeneidade é ainda mais acentuado para as mulheres, o que é uma consequência do aumento do acesso das mulheres ao mercado de trabalho e do prolongamento do periodo em que permanecem solteiras. Ambos são movimentos importantes e significativos relacionados a ampliação das possibilidades de escolha das mulheres na sociedade brasileira.

 

O autor é professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).

carloscr@iesp.uerj.br

 

NOTAS DE RODAPÉ

 

  1. We do not consider parenthood here since censuses do not ask men about this status and we prefer to maintain comparability between men and women.
  2. In other analyses, boot-strap samples have been drawn to create confidence intervals and gauge whether differences are statistically significant. However, this focus on differences at specific ages obscures the more important difference of the overall pattern of distribution.

 

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